quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
claro que o que eu penso é mas o que estou fazendo? um pouco aflita, depois eu respondo com mais calma: vivendo, oras. eu me atrapalho, me engano, troco as palavras, me expresso mal e não me incomodo se não me entenderam direito. esse não é o problema central da questão. quem gosta de escrever não deveria nunca fazer terapia. atrapalha. mas a vida em sociedade pede certos sacrifícios, a vida em sociedade devia ser basicamente catar piolho nas crias, mas que besteira, meu filho nunca teve uma lêndea sequer na cabeça.
olha, eu não sou daqui. ninguém é. a tevê ligada, só pelo barulho de gente falando, a ideologia política, mas ideologia de que? casa pra morar, lazer, lugar para criar seus filhos, era só isso. eles dizendo. dinheiro não é, não é, não é nada divino. dinheiro é um contrato universal, foi isso o que ele disse? dinheiro é uma coisa que devia ser muito respeitada, eu concordo, principalmente por que chegou em casa uma guia de recolhimento da contribuição sindical da indústria do vestuário feminino e infanto juvenil, que merda é essa, eu pensei. respeitem o meu dinheiro. mas o programa acabou, e agora uma música triste é cantada por um sujeito triste e uma mulher igualmente triste assiste de longe. quase escrevi lonje. que coisa. parei por um segundo, coisa que ninguém nunca diz, parei por um segundo e pensei se longe era longe ou lonje. lonje. quase não existe. quase. como eu.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
tem umas coisas que a gente lê que é muito mais do que uma leitura. é quase uma fecundação. a gente fica gestando, gestando, gestando. quando nasce, reconhece os traços do pai e da mãe, dos tios e dos avós na coisa criada. sabe de quem vem o olhar, a boca, as unhas. não tem nada a ver uma coisa com a outra (exceto a coincidência de que a progenitora nesses casos sou eu mesma), mas ontem eu me lembrei da primeira risada do leo. e de como ele ria da risada, e de como de repente ele se assustou com a própria risada, e riu mais, num crescendo que evoluiu pra uma gargalhada, que gerou outro susto, e junto com esse susto um choro, que de repente cessou, por que se acostumou com a nova descoberta. e isso é assim, um livro bom e uma lembrança boa. justifica toda uma existência. só por que não estou de mau humor, claro.
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