quinta-feira, 29 de julho de 2010
os livros que vc tirou da estante, os enfeites, aquele que vc tirou da parede e levou, eu fiquei sabendo que quebrou. não se pega presente de volta, vc deveria saber. só podia ter quebrado mesmo. que nem o que vc dizia que sentia por mim, só podia ter quebrado. era vidro. e se quebrou. e hoje é muito bom que tenha quebrado mesmo, por que posso fazer as coisas por mim. sem que vc me diga se estou certa ou errada, se estou sendo boa ou má. sem julgamentos. vc é um péssimo juiz, então até que saí no lucro, se é que vc me entende. e por mais que eu tenha sofrido, e chorado - e por mais que eu ainda chore, e ainda sofra de vez em quando - não, não é você quem eu quero ao meu lado.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Eu queria contar umas coisas
Tem uns caras que moram dentro de mim. Uns caras e umas mulheres também. Estão espalhados no corpo todo, uns no baço, outros nos pés, alguns nos pulsos. Hilda, por exemplo, está no fígado. Não sou eu que escolho onde vão ficar. Eles entram e se acomodam onde bem entendem. Atrás dos olhos está o Pessoa. A Clarice fica ora no esôfago, ora no estômago. Não pára quieta nunca. A Florbela está perto do pulso da mão esquerda. Adélia e Cecília dividem os pulmões. Drummond, esse anda mais que Clarice. Quando fui sentir, saiu, já foi. Talvez porque a morada dele seja o sangue. Ainda não descobri. No coração estão o Bandeira e o Quintana. Mas o que eu queria dizer mesmo, é que agora tem mais gente em mim. É uma mulher. E essa foi direto pro timo. Aquele orgão pequeno acima do coração, dizem que o verdadeiro responsável pelas sensações e emoções, dizem também que foi se atrofiando porque já não o usamos mais. Bom, eu acredito em timos. Essa moça, primeiro eu vi, depois eu li. E olha, demorei pra ler, viu? Quer dizer, demorei pra começar a ler, porque depois que comecei fui num tapa só. Depois voltei. E gostei de novo. E ela escreve de um jeito, que primeiro eu achei que fosse parar na garganta (depois de um tempo de observação, eu gosto de adivinhar onde é que vão procurar parada). Mas que nada, passou direto. Aí achei que fosse pras pontas dos dedos, não sei por que me ocorreu que talvez fosse um bom lugar. Mas que nada. Tá aqui no meu peito, perto do coração, um pouquinho mais pra direita e mais pra cima, dizem. Eu sei que está ali porque eu sinto latejando, sabe? É quente, e nos primeiros dias só isso me ocupa. Eu vou colocar um trecho pra vocês sentirem comigo.
Abismo
então, de repente, você teria se voltado para ela, perguntando das possibilidades de chuva e inundação. ela seguiria pisando os paralelepípedos emersos, sem perder o equilíbrio. e você quereria ouvir o que o futuro lhe reservava naquela noite.
depois de tomarem banho e conseguirem uma cama seca, sairiam - regressando pelo mesmo caminho, até avistarem o lugar morno e iluminado. sentariam junto à porta, pediriam vinho, peixe e pão, como num ritual.
quando a luz apagasse, vocês já teriam comido e relembrado coisas antigas, viagens recentes e desejos. a chuva cairia forte outra vez, refrescando o sufoco da noite.
cada traço do rosto dela estaria iluminado sob a luz dos relâmpagos. a cada clarão, um outro jeito a confundir seus gestos: de dor, de tristeza. ou uma alegria distante.
ela, por sua vez, veria apenas um contorno de corpo recortado contra o fundo da porta. lá fora ela veria o céu iluminado pelos raios, a torre da igreja, as telhas brilhando.
a cada pausa, ela teria outras formas de pedir descanso da loucura que estava sendo viver.
você, como sempre, perderia a paciência: ao invés de reparar na magia, sentiria um ódio quase incontrolável da situação. e aí, entre vocês, estaria instalado o abismo.
Não consegui escolher um trecho, só.
Não sei como conseguir escolher um, ente tantas possibilidades:
Paulics, V.
Vejam:
www.andoape.blogspot.com
Abismo
então, de repente, você teria se voltado para ela, perguntando das possibilidades de chuva e inundação. ela seguiria pisando os paralelepípedos emersos, sem perder o equilíbrio. e você quereria ouvir o que o futuro lhe reservava naquela noite.
depois de tomarem banho e conseguirem uma cama seca, sairiam - regressando pelo mesmo caminho, até avistarem o lugar morno e iluminado. sentariam junto à porta, pediriam vinho, peixe e pão, como num ritual.
quando a luz apagasse, vocês já teriam comido e relembrado coisas antigas, viagens recentes e desejos. a chuva cairia forte outra vez, refrescando o sufoco da noite.
cada traço do rosto dela estaria iluminado sob a luz dos relâmpagos. a cada clarão, um outro jeito a confundir seus gestos: de dor, de tristeza. ou uma alegria distante.
ela, por sua vez, veria apenas um contorno de corpo recortado contra o fundo da porta. lá fora ela veria o céu iluminado pelos raios, a torre da igreja, as telhas brilhando.
a cada pausa, ela teria outras formas de pedir descanso da loucura que estava sendo viver.
você, como sempre, perderia a paciência: ao invés de reparar na magia, sentiria um ódio quase incontrolável da situação. e aí, entre vocês, estaria instalado o abismo.
Não consegui escolher um trecho, só.
Não sei como conseguir escolher um, ente tantas possibilidades:
Paulics, V.
Vejam:
www.andoape.blogspot.com
Essa foi a noite dos sonhos. Sonhei que sangrava, sonhei que abortava, sonhei que amava de novo, sonhei que casava, sonhei tanta coisa que nem lembro mais. E rodei na cama feito bússola, ora apontava pro sul, ora pro norte, acordava sem acordar e estava dormindo em uma posição diferente. Até que cansei de mudar e fiquei dormindo na diagonal - vantagem de não dividir cama com ninguém. Estraguei o colchão da cama de alguém que eu não sei quem é com tanto sangue, onde eu estava? Vertia sangue, sangue. Encharcou o colchão, escorreu pro chão, foi enchendo o chão, escorreu pela escada, encharcou o tapete, sujou os pés dos móveis da sala, que era minha, mas não era minha. O mundo foi sendo tingido de sangue. Eu ficava pálida, pálida, como quem se esvai mesmo. Eu pensava no Leo, não posso morrer, não posso morrer. Mesmo em sonho, abortar foi horrível. Foi o que ficou mais nítido agora, acordada. Mas a parte do amar de novo foi bem mais legal. Principalmente por que era o homem - literalmente e infelizmente- dos meus sonhos.
Eu tava pensando em entrar pro convento, na ordem das carmelitas descalças, que eu já vivo com os pés gelados, mesmo. Mas tive uma idéia melhor: Vou entrar na Acadepol. Vou usar calça cargo preta, coturno, camiseta branca, trança embutida, vou andar armada e frequentar a escola de tiro que tem perto da usp. E vou usar ...um bornal daqueles de prender na perna, cheio de munição. No meu carro vai ter sempre meia dúzia de armas. E se perguntarem de novo, vou votar contra o desarmamento, por que o cidadão tem que ter o direito de se defender. Depois eu vou ver se acho os caras do PCC e das FARC. E vou sair América Latina adentro propondo a revolução. Que tal?
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Cabelos brancos
Ele: Te mandei flores.
Ela: Comi.
Ele: Te disse bom dia.
Ela: Eu dormi.
Ele: Te digo adeus.
Ela: Já vai tarde.
Ele: Você me amou?
Ela: Não. Só me enganei.
Ela: Comi.
Ele: Te disse bom dia.
Ela: Eu dormi.
Ele: Te digo adeus.
Ela: Já vai tarde.
Ele: Você me amou?
Ela: Não. Só me enganei.
sábado, 17 de julho de 2010
Prato com brigadeiro quebrado no chão, criança assoviando, criança correndo, criança caindo, criança chorando, criança dormindo sem escovar o dente, criança pedindo história, criança fazendo birra pra tomar banho, criança pedindo pra dormir na sua cama, só hoje, por que está com saudade... Criança em casa de novo, tudo certo, tudo justo e certo como deve ser.
Banco de imagens, número 9.
E esse deus grego, quem é?
Gostou?
Não é bem essa a palavra...
Vc pegava?
Fácil! Olha esse sorriso, meu deus, vem cá sorrir prá mim!
Ele tem namorada, Pri.
Melhor ainda, eu aproveito pra treinar meu desapego.
Pri!
Ué, o que que tem, não quero casar, grande coisa ele ter namorada!
Pri!
Ah, vc sabe que eu nunca fiquei com cara comprometido, pelo menos não que eu soubesse, é contra os meus princípios, mas pra que servem os princípios? Pra esse eu abro uma excessão.
Como você é sem vergonha!
Sem vergonha nada, um cara bonito e gostoso assim não é todo dia que a gente vê dando sopa por aí.
Pri, ele não tá dando sopa!
Ah, tá sim, a gente veio junto no elevador. Sopa é pouco.
Ah é, ele deu em cima de você?
Nem em cima nem embaixo, foi de pé, rapidinho.
O quê?
Brincadeira, não deu tempo. Mas eu nunca rezei tanto pra um elevador quebrar. Como ele veio parar na sua casa?
É o meu namorado.
Ok! Tchau, Re!
Tchau, querida.
Gostou?
Não é bem essa a palavra...
Vc pegava?
Fácil! Olha esse sorriso, meu deus, vem cá sorrir prá mim!
Ele tem namorada, Pri.
Melhor ainda, eu aproveito pra treinar meu desapego.
Pri!
Ué, o que que tem, não quero casar, grande coisa ele ter namorada!
Pri!
Ah, vc sabe que eu nunca fiquei com cara comprometido, pelo menos não que eu soubesse, é contra os meus princípios, mas pra que servem os princípios? Pra esse eu abro uma excessão.
Como você é sem vergonha!
Sem vergonha nada, um cara bonito e gostoso assim não é todo dia que a gente vê dando sopa por aí.
Pri, ele não tá dando sopa!
Ah, tá sim, a gente veio junto no elevador. Sopa é pouco.
Ah é, ele deu em cima de você?
Nem em cima nem embaixo, foi de pé, rapidinho.
O quê?
Brincadeira, não deu tempo. Mas eu nunca rezei tanto pra um elevador quebrar. Como ele veio parar na sua casa?
É o meu namorado.
Ok! Tchau, Re!
Tchau, querida.
sábado, 10 de julho de 2010
Eu estou em casa mas me sinto fora do lugar. Deve ser por que afinal não existe um lugar onde a gente. Eu não caibo nessa cidade, eu não caibo nesse bairro, eu não caibo nessa casa, eu mal caibo em mim. Estou no quase choro. Mas não tem lágrima, então não tem choro, então parece ser mais difícil mandar a angústia embora. Chorando é mais fácil, eu acho.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Priscila vai se submeter a uma certa edição de conteúdo.
Andam me entendendo literalmente. Se for literal, ninguém entende nada. Tem que ter uma margem de manobra, um respiro, uma dúvida, um não acreditar totalmente em tudo o que eu digo. Uma desconfiança confiante de que o que eu digo não é exatamente o que eu sou. Nem o que eu sinto. Já pensou se fosse fácil assim? Eu digo, eu sou. Ah, as relações não seriam tão... tão... tão. Não é de mentir que eu estou falando. Não é de brincar de ver bola de cristal também. É de malícia, sabe? Malícia é fundamental, já disse. Não, não coloque nisso uma conotação sexual. Não é disso que eu estou falando. Eu nem sei do que estou falando. Ah, sim, sobre entender literalmente o que eu digo. Há um tempo eu dizia pra mim mesma que nem tudo precisa fazer sentido. Por que eu não conseguia ver sentido no que estava se passando ao meu redor. Então aceitei que aquilo era assim. Não fazia sentido, pronto. Se eu fugi? Claro. Fugi, sim. Ainda me arrependo de não ter fugido mais, pra mais longe. De não ter mudado de cidade. Fugi para não sucumbir. Vc não fugiria também? A verdade? Eu desejei sim, muitas e muitas vezes, que ele morresse. Se ainda desejo? Não vou te dizer. Agora faz mais sentido, tudo, isso eu posso te dizer. Quer dizer, tudo que está aí, que eu posso ver, tocar, sentir. Eu, eu continuo não fazendo sentido algum. Principalmente se tentam me entender literalmente.
Andam me entendendo literalmente. Se for literal, ninguém entende nada. Tem que ter uma margem de manobra, um respiro, uma dúvida, um não acreditar totalmente em tudo o que eu digo. Uma desconfiança confiante de que o que eu digo não é exatamente o que eu sou. Nem o que eu sinto. Já pensou se fosse fácil assim? Eu digo, eu sou. Ah, as relações não seriam tão... tão... tão. Não é de mentir que eu estou falando. Não é de brincar de ver bola de cristal também. É de malícia, sabe? Malícia é fundamental, já disse. Não, não coloque nisso uma conotação sexual. Não é disso que eu estou falando. Eu nem sei do que estou falando. Ah, sim, sobre entender literalmente o que eu digo. Há um tempo eu dizia pra mim mesma que nem tudo precisa fazer sentido. Por que eu não conseguia ver sentido no que estava se passando ao meu redor. Então aceitei que aquilo era assim. Não fazia sentido, pronto. Se eu fugi? Claro. Fugi, sim. Ainda me arrependo de não ter fugido mais, pra mais longe. De não ter mudado de cidade. Fugi para não sucumbir. Vc não fugiria também? A verdade? Eu desejei sim, muitas e muitas vezes, que ele morresse. Se ainda desejo? Não vou te dizer. Agora faz mais sentido, tudo, isso eu posso te dizer. Quer dizer, tudo que está aí, que eu posso ver, tocar, sentir. Eu, eu continuo não fazendo sentido algum. Principalmente se tentam me entender literalmente.
corpo
sexta, 4 de junho de 2010 às 16:07
Mas que que significa esse monte de gente na rua? É quase feriado, tá frio pra caramba, vão embora dormir, poxa! Por mim...
Corpo? Que corpo? "Corpo" sugere uma certa união entre partes, partes que no todo fazem sentido, não é esse o caso disso aqui. Nada faz sentido, ou talvez eu esteja sendo muito exigente comigo mesma. Eu não sou muito boa com a questão do auto-controle, verdade seja dita. Ou talvez isso não seja exatamente uma verdade, talvez eu, os loucos, os desvalidos, os desvairados, talvez nós tenhamos mais razão do que vocês. Talvez nossas vidas tenham mais sentido do que as suas. Eu não trabalho em banco. Eu faço cor. Eu acho que posso brincar de Deus e tentar reproduzir a cor da rosa no meu jardim particular e artificial. Artifício. Uso tantos artifícios pra conseguir o que eu quero, que nem sei o que ou quem eu sou. Me escondo dos outros, e já não posso me achar. Eu me apaixonei de novo. À toa. Que nem tonta.
Mas que que significa esse monte de gente na rua? É quase feriado, tá frio pra caramba, vão embora dormir, poxa! Por mim...
Corpo? Que corpo? "Corpo" sugere uma certa união entre partes, partes que no todo fazem sentido, não é esse o caso disso aqui. Nada faz sentido, ou talvez eu esteja sendo muito exigente comigo mesma. Eu não sou muito boa com a questão do auto-controle, verdade seja dita. Ou talvez isso não seja exatamente uma verdade, talvez eu, os loucos, os desvalidos, os desvairados, talvez nós tenhamos mais razão do que vocês. Talvez nossas vidas tenham mais sentido do que as suas. Eu não trabalho em banco. Eu faço cor. Eu acho que posso brincar de Deus e tentar reproduzir a cor da rosa no meu jardim particular e artificial. Artifício. Uso tantos artifícios pra conseguir o que eu quero, que nem sei o que ou quem eu sou. Me escondo dos outros, e já não posso me achar. Eu me apaixonei de novo. À toa. Que nem tonta.
Protocolo
A visita é protocolar: entro, sorrio, abraço. Beijos.
- Como vc está?
- Ótima, e vc?
- Bem também, obrigada.
Ela é mais protocolar do que eu. Sorrisinhos.
- Chá?
- Não, obrigada. Água eu aceito.
- Claro! Vou buscar.
Silêncio.
- Sua água.
- Obrigada.
- Não tem de quê.
Silêncio. Acho que ela vai dizer alguma coisa. Escuto um começo de interjeição.
- A...
- A?
- Ah, é... O seu pai saiu, foi comprar pão, já deve estar de volta logo.
- Ahn...
Os dedos ficam tirintando no copo. Ela coça a cabeça com a ponta dos dedos. Nossos dedos tem algo em comum. Inquietos. Desconfortáveis. Acaba aí a semelhança.
- Como vc está?
- Ótima, e vc?
- Bem também, obrigada.
Ela é mais protocolar do que eu. Sorrisinhos.
- Chá?
- Não, obrigada. Água eu aceito.
- Claro! Vou buscar.
Silêncio.
- Sua água.
- Obrigada.
- Não tem de quê.
Silêncio. Acho que ela vai dizer alguma coisa. Escuto um começo de interjeição.
- A...
- A?
- Ah, é... O seu pai saiu, foi comprar pão, já deve estar de volta logo.
- Ahn...
Os dedos ficam tirintando no copo. Ela coça a cabeça com a ponta dos dedos. Nossos dedos tem algo em comum. Inquietos. Desconfortáveis. Acaba aí a semelhança.
Dessa vida que a gente vive
Eu peguei a estrada ontem, decerto não foi uma idéia muito inteligente, em dia de jogo da copa pegar a rodovia, mas não tinha outro jeito, e eu fui. Quase sofri um acidente na ida, e quase virei patê na volta. Quase. E aí fiquei pensando que só o que a gente tem que fazer nessa vida é viver. Por que pra morrer, basta estar vivo. Basta. Cheguei em casa e enchi meu filho de beijo, li quantas histórias ele quis, dormi abraçadinha com ele. E acordei com um novo fôlego pra vida. É piegas, eu sei, mas obrigada, Vida. Minha tristeza foi embora rapidinho.
Não, eu não vou tirar o acento da idéia.
Não, eu não vou tirar o acento da idéia.
A gente é para o que nasce
Eu tenho andado excessivamente namoradeira, aí ontem resolvi me acalmar e me concentrar nos meus projetos, fiz agenda, calendário, cronograma, o escambau a quatro, voltei a correr, arrumei o guarda-roupa - todo mundo sabe que em momentos de caos na vida é fundamental organizar o guarda-roupa. Mas aí, hoje eu estava tranquilamente andando na rua quando vi um cara igualzinho o Tom Zé, aí pensei, não é possível, será que é ele mesmo? Meu coração disparou, Tom Zé, me dá um autógrafo, Tom Zé, casa comigo, Tom Zé, me leva pra casa, Tom Zé... Aí nos aproximamos e vi que não era o Tom Zé. Mas que parecia, parecia. Continuei andando, não tão tranquila quanto eu estava antes de encontrar o sósia do Tom, mas tranquila. E aí apareceu na minha frente um cara lindo. Lindo! Ficou me encarando sem a menor cerimônia. Eu, como boa moça direita que sou, dei uma olhadinha de relance e pensei já ter visto aquele cara em algum lugar. Cheguei no consultório, sentei, esperei, a campainha tocou, achei que fosse minha terapeuta. Era o cara lindo que estava na banca quando eu passei. Sem a barba que ele costuma usar, eu sabia que ele me era familiar. Pois é, eu tenho andado excessivamente namoradeira, e estava decidida a parar com isso, mas veja, não sou eu, é o cosmo, são os astros, é sei lá o quê que faz isso com a gente, sei que eu vou tomar um café com o moço que faz terapia no mesmo lugar que eu. Até por que, se eu estou lá é por que lá tem gente interessante, como diz uma amiga minha.
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