acho que não quero viajar. já adiei duas vezes, já desisti uma vez, não consigo fazer a mala, fico enrolando. acho que é por que no fim das contas, 2010 foi um ótimo ano. e eu não queria que ele acabasse já. conheci tanta gente bacana! apertei mais um pouquinho os laços com os amigos de sempre, estendi laços novos, que foram se apertando ao longo do ano. outros laços deram uma afrouxada, natural.
em vez de deixar tudo arrumado, fiz uma bagunça ainda maior. resolvi costurar, tem tecido e linha pra tudo quanto é lado.
então é isso, hora de ir, descobri por que eu não queria ir. não é que não queria ir, é que eu queria não voltar... ai! queria tanto ser uma pessoa sensata na hora de fazer as malas! mas não. tem roupa pra três anos. quando foi que eu virei aprendiz de perua? agora eu tenho rouge. blush. deixei tudo quase arrumado. se arrumar mais alguma coisa, não vou hoje. de novo. hora de ir.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
meu nariz é um pouco grande, talvez, mas o da minha avó era assim, o do meu pai é assim, esse calombinho é a marca dos gomes santiago, minhas olheiras, dos bosco moreno, eu podia me chamar priscila bosco gomes. ou priscila bosco moreno, se fosse só filha da minha mãe, ou priscila gomes santiago, se fosse só filha do meu pai, não, se eu fosse só filha do meu pai, acho que ia me chamar lina, nome da mãe dele, a avó que eu não conheci, dona da cara de brava que herdei. lina santiago, vai ser o nome da minha filha se um dia eu tiver uma. o sorriso eu herdei da minha mãe, acho, os dentes perfilados sem precisar de aparelho... a boca carnuda da família do meu pai, os olhos pequenos tb, as bochechas. meu corpo é da família da minha mãe, corpo de matrona renascentista, se bem que a irmã mais velha do meu pai tb é assim, rechonchuda, branquelinha. sou a filha mais velha, tenho o corpo igual ao das duas irmãs mais velhas das duas famílias, engraçado, não é? meu avô paterno se chamava ezequiel. franzino, olhos de um azul nebuloso que só os muito velhos tem, tão cordato, manso, tão diferente do meu pai, sujeito explosivo, desses que soltam faíscas até imerso em água. mas não sei se era da idade avançada essa cordialidade, ou se da personalidade mesmo. minha avó lina dizia que se pudesse faria uma plástica pra puxar todas as peles, o marido era tão magrinho, ela cheia de formas, devia achar que o casal não ornava, vai saber. minha outra avó se chama branca, dona branca, bosco moreno, olheiras profundas, meu avô é o seu angelim, angelim moreno, de sobrancelhas assustadoras. tem um nome italiano no meio, que eu não lembro, da minha bisavó rosa, rosa moreno e mais alguma coisa que termina em celi, deli, como era mesmo, esqueci. nome do marido dela que era italiano, parece que foi embora. ela espanhola. lindos, lindos, meus avós maternos. minha avó parecia uma moura, árabe, num deserto cheio de vegetação. meu avô queria ser galã da vera cruz. era um galã mesmo. não deu pra ser galã de cinema, mas agora vive em fantasia, cismou que minha avó tem um amante, minha avó, tadinha, que tem um filho doente, que não sai de casa, e que fez um bolo só a vida toda, um bolo que a gente ohava e falava, esse bolo da dona branca, tão torto, sempre torto do mesmo jeito, massa branca com recheio de leite condensado cozido e cobertura branca de clara em neve com açúcar coberto com coco. o bolo que tem todo final de semana, religiosamente, o bolo que meu filho adora e pede que eu faça, pediu para levar numa festa da escola, ele levou todo orgulhoso, como se carregasse uma fina iguaria, o bolo mais gostoso do mundo, voltou pra casa todo feliz, seus pares reconheceram o bolo como se fosse, de fato, uma fina iguaria. o bolo que minha avó fez a vida toda, o bolo torto da vó branca, é agora o bolo que eu faço para meu filho, mas por mais que eu me esforce, não consigo deixá-lo torto.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
já li todo o capítulo dedicado a virgem, já fiz a análise libra&virgem, não sei se estou indo muito rápido, será? de domingo pra cá, todos os manuais astrológicos consultados. tá, são dois só, e não é de domingo pra cá, é de uma festa de são joão pra cá, tem uns seis meses já que eu combino nossos signos, verdade seja dita. e tem também as consultas internéticas, vou tirar o tarô, esqueci de ver o signo maia dele qual é, o chinês é igual ao meu, a gente tem tudo pra se dar bem, se tivermos paciência para superar o início que pode ser turbulento, libra tende a achar que o parceiro de virgem é desinteressado e virgem pode achar que libra é muito dispersivo e que não dá importância ao relacionamento. a primeira parte confere, achei mesmo que o moço não tava nem aí pra mim, mas tb, ele namorava. quando ele me disse que não, tive certeza do contrário. batata. bom, a segunda parte eu não sei. mas que besteira, danem-se os tratados astrológicos, a gente já se deu bem. muito bem. ele não vai ver de imediato que eu sou assim doida, vai ter um tempo pra se acostumar, se bem que talvez fosse melhor se já soubesse logo, se gostar disso, serve pra mim, se não gostar, não é meu número. simples assim. mas olhando assim, ah... é meu número, certinho. sem tirar nem por. isso me lembra um poeminha, acho que da doidivana: eu gosto de vc assim, assim, sem tirar nem por. se for pra tirar e por, tirar e por, tirar e por... ah... aí eu gosto muito mais!
tenho que acordar cedo por causa do lixeiro, queria me espreguiçar mais um pouco, mas não, o lixeiro. ainda não abri a janela do quarto, não tenho mais fome assim que acordo, fico uma, duas horas sem comer nada, até que quase dói, aí eu como, uma migalha, uma gota, e não preciso de mais nada. entro de férias hoje. e talvez hoje o moço venha aqui, e eu, boboca, fico pensando o que fazer. o que fazer pra ele gostar de mim, quando na verdade é muito simples, eu só tenho que ser eu, se ele gostar do meu jeito, pronto, se não gostar, não serve pra mim, então eu resolvi ser eu mesma, e em vez de esperar ser convidada, como minha mãe diria pra eu fazer, eu convidei, ser eu mesma significa também assumir uma certa urgência, significa assumir os riscos, inclusive de ser vc mesma, seria mais prudente esperar, mas a prudência no meu caso é um adicional que não vem de fábrica. e agora fico pensando se faço uma massa, se faço um suflê, que sobremesa eu faço? será que ele gosta de gengibre, será que ele gosta de espinafre, será que ele gosta de chocolate, será que ele vai gostar de mim, a pergunta na verdade é essa. lembro de mim criança, sonhando com um moço bonito, eram três os moços bonitos com quem eu sonhava acordada, mas só me lembro de dois. um casou, o outro sumiu no mundo. eu continuo sonhando acordada. e então, colocar tela nas janelas de casa, para os pernilongos não entrarem, fazer os slings, tecido tão bonito, não usei sling quando tive meu filho, tadinho do meu filho, fui mãe tão despreparada para ser mãe. acho que tá tudo indo bem, tá tudo certo, se tem amor acho que tá certo, mas eu podia ter lido mais, mas que besteira, não há livro no mundo que ensine a ser mãe. como toda boa mãe cristã que se preze, eu carrego toda a culpa que me dão. a separação foi culpa minha, então meu filho sofreu por culpa minha, então meu filho vai fazer terapia por culpa minha. e se meu filho não quiser nada com nada, a culpa é minha, se ele se drogar, a culpa é minha, se ele se matar de tanta tristeza, a culpa é minha, é culpa demais pra uma pessoa só. tiro as culpas das costas como se tirasse uma manto de rainha. se ele for uma pessoa feliz, a culpa não será minha. es erá, ao mesmo tempo. é difícil dar o peso certo pras coisas.
ele foi tudo, e agora volto pro moço em questão, me perguntou se eu já estava pronta para me apaixonar. já. já tá é passando da hora, aliás. a gente se ilude dizendo já não há mais coração, se bem que eu nunca disse que já não havia mais coração, quem dera, pelo menos por alguns momentos, eu ficar sem coração, o coração ficou aqui esse tempo todo, apertadinho, magoado, quebrado, e eu tentando manter ele inteiro a todo custo, e sabe quando falam do buraco que fica dentro da gente, agora eu sei que não é sentido figurado. fica um buraco mesmo.
o que fazer no ano que vem, é a questão. o leo vai estudar de manhã, não posso continuar no meu trabalho, ia ser muita loucura. nem vi se fui aprovada nas disciplinas, e não é que no fim do semestre esqueci de ir falar com o professor para passar minha nota para o professor com quem fui matriculada, e o que fazer agora. continuo querendo ir embora, mas o tempo passa, a hora da mudança se aproxima, e eu fico com medo. vai ver o medo é um aviso, não vá, fico me sentindo a maior filha da puta do universo por que vou de certo modo privar meu filho da companhia do pai, e isso eu não quero que aconteça. mas são roque é tão perto, ele pode vir pra cá, o pai pode ir pra lá, enfim. não sei. espero um sinal divino, ligo pra minha terapeuta, converso com os amigos, mas nada parece clarear aqui. as nuvens não se dissipam. vou fazer cookies para levar para a aracy, a terapeuta que eu abandonei. ela foi tão importante. era o maior barato, na verdade nem sei se era pra ser assim, sei que entre lágrimas e lágrimas, eu ria, ria contando minhas histórias, e ela ria tb, e teve um dia que eu até pensei em propor que invertessemos a situação, eu pagava pra fazer ela rir. acho que isso revela em certa medida o meu modus operandi. de rir até da tristeza, mas não aquele riso nervoso pra disfarçar a tristeza. rir de da situação, rir da cara de espanto, de susto, de tristeza. minha mãe não gosta disso, acha que não tem nada de engraçado na tristeza, nem na vida, aliás. minha mãe era tão engraçada, não sei se não é mais, ou se eu parei de ver graça. não é mais. começou a doer. o estômago. hora do café. vou fazer os slings, cuidar das plantas, lavar a roupa, varrer, tirar o pó, passar um pano, lavar a louça, guardar os livros, arrumar a bagunça. um dia inteiro vai ser pouco.
ele foi tudo, e agora volto pro moço em questão, me perguntou se eu já estava pronta para me apaixonar. já. já tá é passando da hora, aliás. a gente se ilude dizendo já não há mais coração, se bem que eu nunca disse que já não havia mais coração, quem dera, pelo menos por alguns momentos, eu ficar sem coração, o coração ficou aqui esse tempo todo, apertadinho, magoado, quebrado, e eu tentando manter ele inteiro a todo custo, e sabe quando falam do buraco que fica dentro da gente, agora eu sei que não é sentido figurado. fica um buraco mesmo.
o que fazer no ano que vem, é a questão. o leo vai estudar de manhã, não posso continuar no meu trabalho, ia ser muita loucura. nem vi se fui aprovada nas disciplinas, e não é que no fim do semestre esqueci de ir falar com o professor para passar minha nota para o professor com quem fui matriculada, e o que fazer agora. continuo querendo ir embora, mas o tempo passa, a hora da mudança se aproxima, e eu fico com medo. vai ver o medo é um aviso, não vá, fico me sentindo a maior filha da puta do universo por que vou de certo modo privar meu filho da companhia do pai, e isso eu não quero que aconteça. mas são roque é tão perto, ele pode vir pra cá, o pai pode ir pra lá, enfim. não sei. espero um sinal divino, ligo pra minha terapeuta, converso com os amigos, mas nada parece clarear aqui. as nuvens não se dissipam. vou fazer cookies para levar para a aracy, a terapeuta que eu abandonei. ela foi tão importante. era o maior barato, na verdade nem sei se era pra ser assim, sei que entre lágrimas e lágrimas, eu ria, ria contando minhas histórias, e ela ria tb, e teve um dia que eu até pensei em propor que invertessemos a situação, eu pagava pra fazer ela rir. acho que isso revela em certa medida o meu modus operandi. de rir até da tristeza, mas não aquele riso nervoso pra disfarçar a tristeza. rir de da situação, rir da cara de espanto, de susto, de tristeza. minha mãe não gosta disso, acha que não tem nada de engraçado na tristeza, nem na vida, aliás. minha mãe era tão engraçada, não sei se não é mais, ou se eu parei de ver graça. não é mais. começou a doer. o estômago. hora do café. vou fazer os slings, cuidar das plantas, lavar a roupa, varrer, tirar o pó, passar um pano, lavar a louça, guardar os livros, arrumar a bagunça. um dia inteiro vai ser pouco.
marylin no metrô vila madalena, no topo da escadaria. era eu mostrando as pernas e um pouco mais. lembrei da minha mãe me falando, meio em tom de brincadeira, que a gente nunca deve sair de casa com uma calcinha feia ou velha, nunca se sabe o que pode acontecer. sou uma filha obediente, no fim das contas. segui os conselhos de mamãe. pelos menos alguns deles, eu segui.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
dezembro
acordei com uma fome do tamanho do mundo, eu podia comer o mundo e tudo o que existe nele, mas não comi nem três quartos do que preparei, minha fome não era fome, era vontade, era felicidade, e agora cá estou eu espanando a poeira, arrastando os móveis, separando as roupas que eu não quero mais usar, que daqui pra frente, tudo vai ser diferente. saí de casa pra bater papo e dar uma volta, voltei com marias-sem-vergonha, brincos-de-princesa, mosquitinhos, onze-horas e uma dama da noite. ontem amassei barro com os pés descalços, sentei perto de uma fogueira, fiquei com o rosto fogueado, tinha tanto vagalume que era inacreditável, agora eu gosto mais de purpurina, vagalume é que nem purpurina, ou brocal, brilhando na mata, comprei um jornal, que não li, comprei mudas, que ainda não plantei, e voltei pra casa sentindo uma vontade enorme de carinho, de beijo, de abraço, mas sem tristeza, resignada, por que afinal ainda não estou pronta para amar, aquela babaquice e etc, então é assim, às vezes me sinto só, terrivelmente só, e é assim. mas a gente nunca sabe quem a gente vai encontrar pelo caminho, até que a gente encontra. ontem, no meio do meu caminho, encontrei o moço mais lindo do mundo. na verdade, ele era o moço mais lindo da festa na casa de um amigo, mas agora. depois de muitos, muitos beijos, abraços e carinhos, me perguntou se já estou pronta pra me apaixonar de novo. pode apostar que sim.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
quase um mês, quase morri de saudade, tanta coisa que passou pela minha cabeça (eu não sei se é bom, ruim, chato, etc, sei que me passam umas coisas pela cabeça que eu penso putz, isso devia ser escrito).
e são tantos os devaneios, e os sonhos, que eu penso que talvez fosse o caso de uma internação.
mas é claro que não.
estranho ver como eu estava mal. me deixa um pouco triste, e um pouco alegre. vou encher de posts aqui pr'aquilo ficar mais pro passado. mas não agora. em breve.
e são tantos os devaneios, e os sonhos, que eu penso que talvez fosse o caso de uma internação.
mas é claro que não.
estranho ver como eu estava mal. me deixa um pouco triste, e um pouco alegre. vou encher de posts aqui pr'aquilo ficar mais pro passado. mas não agora. em breve.
será que a gente consegue estragar tudo com uma só palavra, assim, eu digo uma coisa, ele não gosta, e aí pára de achar graça, mas eu não disse nada demais, foi só um automatismo, como boa-tarde, vc não pensa pra falar boa tarde, eu sou muito maluca mesmo pra pensar nessas coisas assim, como se uma palavra fosse suficiente para desencantar, não, que nada, esse encanto ainda vai durar um tempinho. mas sim, uma palavra é suficiente pra desencantar, pra mim, é. até menos que isso, é. quando a gente não tá a fim, um suspiro do tamanho de uma vírgula é suficiente pra desencantar.
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