Tinha um único dente de ouro, graças a uma coronhada que levou na boca quando ainda tinha vinte e poucos anos.
Todos os outros dentes eram perfeitos, e se orgulhava do seu sorriso.
Aos sessenta e quatro anos era dona de um império.
Comandava tudo e todos com mãos de ferro.
Com as mãos e com o resto do corpo também. Fazia questão de continuar ativa.
Só se aposentou mesmo da linha de frente com cinquenta e quatro, dez anos atrás. Um cliente bêbado.
Quis abrir seu espartilho, ela não deixou, ele mostrou a arma, ela mostrou a dela, ele a desafiou, ela enfiou-lhe uma faca entre as pernas.
Não morreu, mas ficou inválido. Era sempre no saco.
Sua vingança para quem não sabia respeitar seu peito.
Vivia repetindo: "Não é pelo decote que se sabe se uma mulher tem peito ou não".
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Aos preguiçosos e desesperançosos.
Me disseram que eu sou arroz de festa.
Me disseram que eu só quero confete.
Me acusaram de ser apenas uma promessa de ano novo.
Botaram o dedo na minha cara e disseram:
"Você é só ano novo. E você adora isso, pra poder começar tudo de novo.
Começar o novo e abandonar o velho, por que te deu preguiça de continuar.
Você é só uma promessa".
Ora vejam, a preguiça foi bater em outro lugar.
E mudou de dono o prometer e não cumprir, e o abandonar. E a preguiça.
Não acho pouco ser uma promessa. Não é pouco prometer.
Não é tudo, é verdade, mas é muito.
Por que para alguns, é só a promessa que resolve.
Quando se quer fazer tudo, é só a promessa.
Quando não se sabe por onde começar, é a promessa.
Quando não se tem felicidade ou paz à disposição em gôndolas, só a promessa resolve.
Sou sim uma promessa.
Quero sim fazer tudo. E não sei por onde começar.
Mas tenho a consciência (derivada da experiência) de que chega uma hora em que as promessas são cumpridas.
Aos poucos, devagar, talvez quase que imperceptivelmente aos menos atentos.
Mas não é por que eu sou só uma promessa.
É por que eu (tenho) uma promessa.
É por que eu quero tudo.
E, sinceramente, não vejo problema nisso.
Gosto sim de ano novo. Gosto sim de começar de novo.
O que os acusadores não puderam perceber (ou não quiseram) é que todo santo dia eu começo de novo.
Foi o jeito que encontrei de deixar a vida mais interessante.
Se sendo assim atrapalho outras vidas mais certinhas, mais constantes, corretas, alinhadas com sabe lá Deus o quê, o que fazer?
Pedir desculpas?
Dizer ah, não quis incomodar?
À merda, todos vocês, castradores, encolhedores de mundos, diminuidores de vidas.
Eu brilho.
Me disseram que eu só quero confete.
Me acusaram de ser apenas uma promessa de ano novo.
Botaram o dedo na minha cara e disseram:
"Você é só ano novo. E você adora isso, pra poder começar tudo de novo.
Começar o novo e abandonar o velho, por que te deu preguiça de continuar.
Você é só uma promessa".
Ora vejam, a preguiça foi bater em outro lugar.
E mudou de dono o prometer e não cumprir, e o abandonar. E a preguiça.
Não acho pouco ser uma promessa. Não é pouco prometer.
Não é tudo, é verdade, mas é muito.
Por que para alguns, é só a promessa que resolve.
Quando se quer fazer tudo, é só a promessa.
Quando não se sabe por onde começar, é a promessa.
Quando não se tem felicidade ou paz à disposição em gôndolas, só a promessa resolve.
Sou sim uma promessa.
Quero sim fazer tudo. E não sei por onde começar.
Mas tenho a consciência (derivada da experiência) de que chega uma hora em que as promessas são cumpridas.
Aos poucos, devagar, talvez quase que imperceptivelmente aos menos atentos.
Mas não é por que eu sou só uma promessa.
É por que eu (tenho) uma promessa.
É por que eu quero tudo.
E, sinceramente, não vejo problema nisso.
Gosto sim de ano novo. Gosto sim de começar de novo.
O que os acusadores não puderam perceber (ou não quiseram) é que todo santo dia eu começo de novo.
Foi o jeito que encontrei de deixar a vida mais interessante.
Se sendo assim atrapalho outras vidas mais certinhas, mais constantes, corretas, alinhadas com sabe lá Deus o quê, o que fazer?
Pedir desculpas?
Dizer ah, não quis incomodar?
À merda, todos vocês, castradores, encolhedores de mundos, diminuidores de vidas.
Eu brilho.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Detesto pudim
Fiz um samba assim
pra você gostar de mim
Comprei um batom carmim
que esqueci no camarim
E mesmo que tivesse usado
Duvido que teria adiantado
Fiquei aqui com seu retrato
Porque você saiu apressado
Fiz um samba assado
pra você ser meu namorado
Fiz mil bombocados
mas você pediu pudim
pra você gostar de mim
Comprei um batom carmim
que esqueci no camarim
E mesmo que tivesse usado
Duvido que teria adiantado
Fiquei aqui com seu retrato
Porque você saiu apressado
Fiz um samba assado
pra você ser meu namorado
Fiz mil bombocados
mas você pediu pudim
sábado, 26 de dezembro de 2009
No galinheiro
Ele vem cheio de marra.
Passa uma vez, olha de soslaio. Passa outra vez, dá uma encarada de leve.
Sento com meu filho, tomo um sorvete. Ele escolhe justamente o banco em frente para o aquecimento. Está com um filho a tiracolo também. Alonga uma perna. Estica os braços, alonga a outra perna. Opa! Cuidado amigo, não vá cair logo agora. Se equilibra de novo. Estufa o peito como se fosse um galo.
Tá, estou vendo. Como você é forte, não?
É que tem uma pança que eu não sei se encaro não.
Mas não pára não, vai, que tá no mínimo engraçado. E o sujeito continua mesmo. Agora não olha mais de soslaio. Encara fixamente. Brinca com o filho sorrindo mais. Se divertindo mais. Brinca mais. E olha pra mim, me mostrando que é um ótimo pai.
(Como eu sei que é mais? Sou uma pessoa observadora. Sim, eu já estava olhando antes. Mas por motivos diversos e pra todo mundo, antes que alguém pense que eu o provoquei de alguma forma)
Enfim... Me sinto uma presa. Tem um dinossauro querendo me conquistar.
Tem um galo querendo uma galinha pra ciscar.
Sabe o que que é, amigo...
Talvez eu seja sim um pouco galinha.
Talvez eu dê sim qualquer coisa para qualquer um.
Mas é que você hoje deu azar.
Loguíssimo hoje, o terreiro aqui está sob nova direção.
E cá nesse terreiro, quem escolhe o galo agora sou eu.
Tenta com a próxima!
E aproveita que tem que trazer seu filho pro parque e dá uma corridinha.
Dizem que faz bem pro coração...
Passa uma vez, olha de soslaio. Passa outra vez, dá uma encarada de leve.
Sento com meu filho, tomo um sorvete. Ele escolhe justamente o banco em frente para o aquecimento. Está com um filho a tiracolo também. Alonga uma perna. Estica os braços, alonga a outra perna. Opa! Cuidado amigo, não vá cair logo agora. Se equilibra de novo. Estufa o peito como se fosse um galo.
Tá, estou vendo. Como você é forte, não?
É que tem uma pança que eu não sei se encaro não.
Mas não pára não, vai, que tá no mínimo engraçado. E o sujeito continua mesmo. Agora não olha mais de soslaio. Encara fixamente. Brinca com o filho sorrindo mais. Se divertindo mais. Brinca mais. E olha pra mim, me mostrando que é um ótimo pai.
(Como eu sei que é mais? Sou uma pessoa observadora. Sim, eu já estava olhando antes. Mas por motivos diversos e pra todo mundo, antes que alguém pense que eu o provoquei de alguma forma)
Enfim... Me sinto uma presa. Tem um dinossauro querendo me conquistar.
Tem um galo querendo uma galinha pra ciscar.
Sabe o que que é, amigo...
Talvez eu seja sim um pouco galinha.
Talvez eu dê sim qualquer coisa para qualquer um.
Mas é que você hoje deu azar.
Loguíssimo hoje, o terreiro aqui está sob nova direção.
E cá nesse terreiro, quem escolhe o galo agora sou eu.
Tenta com a próxima!
E aproveita que tem que trazer seu filho pro parque e dá uma corridinha.
Dizem que faz bem pro coração...
S/ Título nº 3
A gente enlouquece
A gente ensandece
A gente endoidece
Depois passa um tempo
E a gente emudece
E esquece
Ou finge que não foi com a gente
E conta a história
De um jeito diferente...
A gente ensandece
A gente endoidece
Depois passa um tempo
E a gente emudece
E esquece
Ou finge que não foi com a gente
E conta a história
De um jeito diferente...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Poeminho poemático
Poema é jeito de dizer sentimento
Poesia é jeito de viver sentimento
Pra fazer um poema não precisa de rima nem de acento
Mas é bom que tenha
Também não precisa de rococó
Mas quanto mais firula melhor
Respire fundo
Diga trinta e três
-Trinta e três
-Dance um tango e não use mais roupas de brechó.
Poesia é jeito de viver sentimento
Pra fazer um poema não precisa de rima nem de acento
Mas é bom que tenha
Também não precisa de rococó
Mas quanto mais firula melhor
Respire fundo
Diga trinta e três
-Trinta e três
-Dance um tango e não use mais roupas de brechó.
Distração
Ando toda eu-lírica.
Não ponho uma roupa, visto meu figurino.
Não ouço música, escuto a minha trilha.
Não converso, repasso o script.
Nem resolvo, só sigo o roteiro.
Assim eu ganho tempo
Assim eu perco tempo
Assim eu finjo
Assim eu brinco
Assim eu esqueço
Que você está longe daqui.
Não ponho uma roupa, visto meu figurino.
Não ouço música, escuto a minha trilha.
Não converso, repasso o script.
Nem resolvo, só sigo o roteiro.
Assim eu ganho tempo
Assim eu perco tempo
Assim eu finjo
Assim eu brinco
Assim eu esqueço
Que você está longe daqui.
Questão general
Ser mãe solteira é difícil pra caramba. É bem mais difícil que ser só mãe.
É difícil se acostumar com a idéia de que seu filho não vai estar sempre na casa de vocês. Que vai passar uma parte da semana com o pai.
E por mais que você queira que eles tenham uma boa relação, que se vejam sempre, você vai chorar quando chegar da faculdade e não puder ver seu filho dormindo feito um anjinho, arrumar o cobertor, dar um beijinho e dizer "durma bem".
É, eu gosto de viver em bando. Sou meio macaquinha ainda.
E ontem eu senti que um macho no bando faz falta de um jeito diferente do que eu já tinha sentido antes.
Natal. Época de orgia gastronômica e brinquedística.
Até eu pedi meu brinquedo pro Papai Noel - um Detetive que só me deixou com mais saudade ainda do Detetive da infância.
Pois bem. Meu filho ganhou um autorama. Não pediu, mas ganhou.
Uma caixa enorme. Quinhentas mil peças. Tudo amarrado de tal forma que me fez acreditar que extraterrestres existem. Vi o manual. Não entendi nada. E conforme eu ia desamarrando aquilo que mãos alienígenas amarraram tão competentemente, ia me perguntando: por onde eu começo? Senti um desconforto gelado subindo pela espinha, me lembrando de arrumar a postura. Por onde eu começo? Respirei fundo e continuei tirando os nós com esmero, na esperança de ganhar tempo. Cadê o homem da relação para fazer esse serviço sujo por mim? Ninguém. Vai ter que ser eu mesma. Mas nunca fiz isso antes, por onde eu começo? O desconforto vai se transformando em desespero, o frio vai ficando quente, começo a suar, por onde eu começo?
Meu pai aparece na sala. Ufa! Vem cá! Mas nem ele dá conta. Cadê meu irmão que não aparece? Não acredito que vou ter que montar um autorama! Não! Eu não quero!! Homens existem para isso! Homens fizeram isso, homens se resolvam com isso!
Saí pela tangente: Vem filho, vamos jogar uma partida de Detetive! Me explica o que é Bakugan? O que esse Max Steel faz? Deu certo.
Meu irmão chegou, montou, e de manhã tinha um complexo viário digno de fazer morrer de inveja um Maluf da vida.
Rezo apenas para que meu filho não se transforme aos poucos num engenheiro megalomaníaco. Acho que um brinquedo só não é capaz disso, não é?
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Consenso ou Descompasso
Desfeita e descomposta,
me deito ao seu lado
e espero um afago.
Escuto um suspiro cansado.
Refeita e recomposta,
me deito ao seu lado.
Espero um suspiro,
recebo um afago.
Para um amigo querido.
me deito ao seu lado
e espero um afago.
Escuto um suspiro cansado.
Refeita e recomposta,
me deito ao seu lado.
Espero um suspiro,
recebo um afago.
Para um amigo querido.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Receita para um dia radiante
Acorde cedo.
Vá correr, ou caminhar, sob a luz do Sol.
Depois de caminhar, sente-se ou deite-se, na grama, no chão, no banco, tanto faz.
Feche os olhos e deixe o Sol entrar. Em você. É, em você.
Abra-se.
Bordão de dona de bordel: Você tem que se abrir para que o mundo se abra para você.
Lembre-se de quando era criança e gostava de olhar para a lâmpada pra depois ficar vendo imagens coloridas - cada um com seu barato. Com o Sol é a mesma coisa.
Em casa, faça um suco de laranja bem amarelo. O suco vai se misturar com os raios de Sol que você guardou. Eu guardo os meus no estômago. Ajuda a prevenir úlceras, gastrites nervosas e enfermidades em geral. Tenha sempre um raio de Sol guardado no estômago para emergências em caso de dias nublados, nervosos ou chuvosos.
Tome um banho bem gelado, que é pra despertar e tirar aquela sensação de calor da corrida. Dizem que também deixa os cabelos brilhantes.
Vista um belo vestido amarelo, e saia, radiante e linda, espalhando um pouco do brilho que você absorveu do Sol. Agradeça à vida por viver. E por talvez chorar, e talvez sofrer, mas principalmente, por ser capaz de amar. Nem que seja o Sol.
Vá correr, ou caminhar, sob a luz do Sol.
Depois de caminhar, sente-se ou deite-se, na grama, no chão, no banco, tanto faz.
Feche os olhos e deixe o Sol entrar. Em você. É, em você.
Abra-se.
Bordão de dona de bordel: Você tem que se abrir para que o mundo se abra para você.
Lembre-se de quando era criança e gostava de olhar para a lâmpada pra depois ficar vendo imagens coloridas - cada um com seu barato. Com o Sol é a mesma coisa.
Em casa, faça um suco de laranja bem amarelo. O suco vai se misturar com os raios de Sol que você guardou. Eu guardo os meus no estômago. Ajuda a prevenir úlceras, gastrites nervosas e enfermidades em geral. Tenha sempre um raio de Sol guardado no estômago para emergências em caso de dias nublados, nervosos ou chuvosos.
Tome um banho bem gelado, que é pra despertar e tirar aquela sensação de calor da corrida. Dizem que também deixa os cabelos brilhantes.
Vista um belo vestido amarelo, e saia, radiante e linda, espalhando um pouco do brilho que você absorveu do Sol. Agradeça à vida por viver. E por talvez chorar, e talvez sofrer, mas principalmente, por ser capaz de amar. Nem que seja o Sol.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Reminiscências ou não te interressa, eu sei, mas eu queria falar mesmo assim.
Desci do ônibus e passei em frente ao prédio em que moramos. Acho que foi onde fomos mais felizes. Não era um apartamento enorme, mas era bem iluminado e espaçoso. Ainda não tínhamos móveis na sala. E a casa era uma bagunça. Teve uma época em que eu resolvi montar uma bancada na sala. Era meu ateliê. Uma porta sobre cavaletes.
A janela da sala era enorme, ia do chão quase até o teto. A vista não era linda, mas tinha a copa de uma árvore que antes do inverno ficava inteirinha cor-de-abóbora. E o Sol... Era o melhor. Batia em todos os cômodos. De manhã começava a bater na lavanderia. Passava pela cozinha e depois batia nos quartos. É engraçado falar que o sol bate, não é? Eu acho que o Sol acaricia, e depois arde, e depois preenche. Me sinto preenchida pelo Sol. Como se meus poros fossem buraquinhos, caninhos que levam a energia do Sol pro coração, pra alma, pro fígado, pro útero, sei lá pra onde.
E tinha o som dos passarinhos, esses que acordam São Paulo, e que é uma delícia ouvir. Foi nessa época que eu ia correr na Usp de manhãzinha. Cinco horas da manhã, ainda estava escuro, eu despertava junto com os passarinhos. Até hoje ainda tenho uma sensação estranha quando escuto os passarinhos. Um misto de conforto com desconforto, com saudade, com sei lá o quê.
Eu cozinhava bastante nessa época. Sempre tinha gente jantando ou almoçando em casa. Nosso filho era bebê. Eu achava que íamos ter mais um, ao menos.
Do ponto de ônibus pra casa mudou um monte de coisa. Terminaram aquela construção horrorosa que mistura todos os tipos de colunas greco-romanas. Ficou uma ode ao mau-gosto. A casa gigante cor-de-rosa que a gente via da janela já alugou e desalugou umas quinze vezes. Agora reformaram o salão e colocaram uns azulejos com entremeios dourados. Uma coisa muito fina!
A casa do norte continua arretada. Agora não é mais um boteco com uns bêbados. É praticamente uma casa de shows! Os homens ainda são uns bêbados, mas as mulheres se arrumam, e dançam entre elas mesmas, na falta de um par do sexo oposto, ou na falta de um par do sexo oposto que esteja em condições de se equilibrar em duas pernas.
A padaria mudou a calçada pela quarta vez. Tá mais bonita, mas continua cheia de bêbados e ruim. Também colocaram azulejos cor-de-abóbora na fachada. Abriu mais um bar perto de casa.
Do ponto até em casa tem muita animação e muita música.
"aí eu bebo pra caráio, bebo pra caráio, bebo pra carái..."
"chupa que é de uva, chupa que é de uva"
"você não vale nada mas eu gosto de você, você não vale nada mas eu gosto de você..."
Os vizinhos pintaram a casa de lilás. Ficou bonito. Quero pintar aqui também. As paredes de branco, as portas, janelas e portões de verde. Acho que vai ficar bonito. Comprei uma muda de Pau-Brasil. E de amoreira, pitangueira e tumbérgias. A tumbérgia já deu flor. Roxa, bonita. As bromélias estão do mesmo jeito. As hortências estão bonitas de novo. Podei a primavera, achei que ela fosse morrer, mas está linda. Tomare que esse ano dê flor. Coloquei o brinco de princesa numa estrutura de arame. Está enorme, cheio de flores. Preciso colocar torta de mamona nas outras plantas.
Sinto falta de coisas tão à toa. De uma roupa de homem no varal, de um sapato grande ao lado do meu num canto da sala.
A janela da sala era enorme, ia do chão quase até o teto. A vista não era linda, mas tinha a copa de uma árvore que antes do inverno ficava inteirinha cor-de-abóbora. E o Sol... Era o melhor. Batia em todos os cômodos. De manhã começava a bater na lavanderia. Passava pela cozinha e depois batia nos quartos. É engraçado falar que o sol bate, não é? Eu acho que o Sol acaricia, e depois arde, e depois preenche. Me sinto preenchida pelo Sol. Como se meus poros fossem buraquinhos, caninhos que levam a energia do Sol pro coração, pra alma, pro fígado, pro útero, sei lá pra onde.
E tinha o som dos passarinhos, esses que acordam São Paulo, e que é uma delícia ouvir. Foi nessa época que eu ia correr na Usp de manhãzinha. Cinco horas da manhã, ainda estava escuro, eu despertava junto com os passarinhos. Até hoje ainda tenho uma sensação estranha quando escuto os passarinhos. Um misto de conforto com desconforto, com saudade, com sei lá o quê.
Eu cozinhava bastante nessa época. Sempre tinha gente jantando ou almoçando em casa. Nosso filho era bebê. Eu achava que íamos ter mais um, ao menos.
Do ponto de ônibus pra casa mudou um monte de coisa. Terminaram aquela construção horrorosa que mistura todos os tipos de colunas greco-romanas. Ficou uma ode ao mau-gosto. A casa gigante cor-de-rosa que a gente via da janela já alugou e desalugou umas quinze vezes. Agora reformaram o salão e colocaram uns azulejos com entremeios dourados. Uma coisa muito fina!
A casa do norte continua arretada. Agora não é mais um boteco com uns bêbados. É praticamente uma casa de shows! Os homens ainda são uns bêbados, mas as mulheres se arrumam, e dançam entre elas mesmas, na falta de um par do sexo oposto, ou na falta de um par do sexo oposto que esteja em condições de se equilibrar em duas pernas.
A padaria mudou a calçada pela quarta vez. Tá mais bonita, mas continua cheia de bêbados e ruim. Também colocaram azulejos cor-de-abóbora na fachada. Abriu mais um bar perto de casa.
Do ponto até em casa tem muita animação e muita música.
"aí eu bebo pra caráio, bebo pra caráio, bebo pra carái..."
"chupa que é de uva, chupa que é de uva"
"você não vale nada mas eu gosto de você, você não vale nada mas eu gosto de você..."
Os vizinhos pintaram a casa de lilás. Ficou bonito. Quero pintar aqui também. As paredes de branco, as portas, janelas e portões de verde. Acho que vai ficar bonito. Comprei uma muda de Pau-Brasil. E de amoreira, pitangueira e tumbérgias. A tumbérgia já deu flor. Roxa, bonita. As bromélias estão do mesmo jeito. As hortências estão bonitas de novo. Podei a primavera, achei que ela fosse morrer, mas está linda. Tomare que esse ano dê flor. Coloquei o brinco de princesa numa estrutura de arame. Está enorme, cheio de flores. Preciso colocar torta de mamona nas outras plantas.
Sinto falta de coisas tão à toa. De uma roupa de homem no varal, de um sapato grande ao lado do meu num canto da sala.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Sem título/n.2
Quem fala de si mente e sempre corre o risco de estar enganado.
Para minha mãe, sou uma mãe muito liberal.
Para meu filho, sou uma mãe ultra-conservadora.
Em suma: sempre tem alguém dando pitaco no que eu faço.
Acho o orkut muito mais legal do que o facebook.
Quem será eu?
Onde estará eu?
Onde andará Nicanor, que tinha nome de encanador?
Eu sou a mosca que pousou na sua sopa.
Eu nasci há muito mais que dez mil anos atrás.
Não, eu não sou fã de Raul Seixas. Nem tanto.
Eu sou uma sombrinha que vira pro alto no meio do temporal.
Por que eu adoro pôr as pernas pro ar, e vivo de bom-humor, como as sombrinhas coloridas, mas eu nunca deixo ninguém na mão.
Quer dizer, às vezes eu deixo sim, mas é só por que eu não estou por perto, por que senão eu mesma resolvo a parada, se é que vc me entende...
A vida é imprevisível.
Coma a sobremesa antes.
Você não vale nada, mas eu gosto de você.
Uma coisa muito gostosinha de ouvir que me disseram e eu (hehe) gostei. É de uma amiga de um amigo, peço licença:
"Gosto de você assim, assim, sem tirar nem pôr. Mas se for pra tirar e pôr, tirar e pôr, tirar e pôr, eu gosto mais ainda."
É isso aí, mano. Conteúdo adulto.
Priscila para maiores.
Rainha dos baixinhos não é comigo não.
Ah, vou mudar a configuração de privacidade.
Entra cada maluco que eu estou ficando arrependida de ter posto um filho nesse mundo de malucos.
Não que eu não soubesse que malucos existiam. Mas eu não imaginava que eles eram tantos!
A ignorância, em muitos casos, é uma benção.
(pra mim, pra vc, pra todo mundo, isso aqui é uma puta perda de tempo. pq em vez de estar aqui, lendo ou escrevendo, a gente devia estar dando! Uma arrumada na casa, uma volta na praça...)
Para minha mãe, sou uma mãe muito liberal.
Para meu filho, sou uma mãe ultra-conservadora.
Em suma: sempre tem alguém dando pitaco no que eu faço.
Acho o orkut muito mais legal do que o facebook.
Quem será eu?
Onde estará eu?
Onde andará Nicanor, que tinha nome de encanador?
Eu sou a mosca que pousou na sua sopa.
Eu nasci há muito mais que dez mil anos atrás.
Não, eu não sou fã de Raul Seixas. Nem tanto.
Eu sou uma sombrinha que vira pro alto no meio do temporal.
Por que eu adoro pôr as pernas pro ar, e vivo de bom-humor, como as sombrinhas coloridas, mas eu nunca deixo ninguém na mão.
Quer dizer, às vezes eu deixo sim, mas é só por que eu não estou por perto, por que senão eu mesma resolvo a parada, se é que vc me entende...
A vida é imprevisível.
Coma a sobremesa antes.
Você não vale nada, mas eu gosto de você.
Uma coisa muito gostosinha de ouvir que me disseram e eu (hehe) gostei. É de uma amiga de um amigo, peço licença:
"Gosto de você assim, assim, sem tirar nem pôr. Mas se for pra tirar e pôr, tirar e pôr, tirar e pôr, eu gosto mais ainda."
É isso aí, mano. Conteúdo adulto.
Priscila para maiores.
Rainha dos baixinhos não é comigo não.
Ah, vou mudar a configuração de privacidade.
Entra cada maluco que eu estou ficando arrependida de ter posto um filho nesse mundo de malucos.
Não que eu não soubesse que malucos existiam. Mas eu não imaginava que eles eram tantos!
A ignorância, em muitos casos, é uma benção.
(pra mim, pra vc, pra todo mundo, isso aqui é uma puta perda de tempo. pq em vez de estar aqui, lendo ou escrevendo, a gente devia estar dando! Uma arrumada na casa, uma volta na praça...)
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Da idéia.
Vou escrever um livro. De auto-ajuda.
É uma idéia bem antiga.
Antes eu achava que seria necessário escolher um nome em outra língua, algo como Sarah Mitchel, John L. Woolf ou Pamela J. Parker, mas eu sou libriana e não me decido nunca. Ficava difícil começar a escrever se nem identidade definida eu tinha ainda.
Então resolvi parar de enrolar e vou escrever a partir da minha própria identidade mesmo. O que é uma falácia, já que o que escrevemos é o que nos atravessa... Mas o que são os livros de auto-ajuda senão mentiras por escrito?
Queria pensar num tema bobo, simples e de fácil aceitação pelo exigente público consumidor desse gênero literário (como todos os títulos da seção auto-ajuda), mas nem precisei pensar em nada, aconteceu.
Aconteceu comigo e agora eu vou dar a quem interessar possa minha impressão sobre o acontecido.
É uma idéia bem antiga.
Antes eu achava que seria necessário escolher um nome em outra língua, algo como Sarah Mitchel, John L. Woolf ou Pamela J. Parker, mas eu sou libriana e não me decido nunca. Ficava difícil começar a escrever se nem identidade definida eu tinha ainda.
Então resolvi parar de enrolar e vou escrever a partir da minha própria identidade mesmo. O que é uma falácia, já que o que escrevemos é o que nos atravessa... Mas o que são os livros de auto-ajuda senão mentiras por escrito?
Queria pensar num tema bobo, simples e de fácil aceitação pelo exigente público consumidor desse gênero literário (como todos os títulos da seção auto-ajuda), mas nem precisei pensar em nada, aconteceu.
Aconteceu comigo e agora eu vou dar a quem interessar possa minha impressão sobre o acontecido.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A vida é imprevisível
A minha sobremesa eu como antes.
Vou pichar na cidade toda:
"É importante comer a sobemesa antes, PORRA."
Vou pichar na cidade toda:
"É importante comer a sobemesa antes, PORRA."
domingo, 6 de dezembro de 2009
Como assim?
Tá pensando que é fácil se livrar de mim?
Me chama quando precisa, e quando não precisa mais me manda embora, é assim?
Eu vou quando quiser, viu? Não adianta querer me expulsar.
Humpf.
I S M Á L I A.
Me chama quando precisa, e quando não precisa mais me manda embora, é assim?
Eu vou quando quiser, viu? Não adianta querer me expulsar.
Humpf.
I S M Á L I A.
Do tempo que passa
Meu tomara-que-caia caiu, junto com o medo, a vergonha e o resto das roupas. Junto com a raiva do mal me quererem. Do não me quererem.
Eu me quero.
Adeus, Ismália.
Priscila.
Eu me quero.
Adeus, Ismália.
Priscila.
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