segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Receita para um dia radiante

Acorde cedo.
Vá correr, ou caminhar, sob a luz do Sol.
Depois de caminhar, sente-se ou deite-se, na grama, no chão, no banco, tanto faz.
Feche os olhos e deixe o Sol entrar. Em você. É, em você.
Abra-se.
Bordão de dona de bordel: Você tem que se abrir para que o mundo se abra para você.
Lembre-se de quando era criança e gostava de olhar para a lâmpada pra depois ficar vendo imagens coloridas - cada um com seu barato. Com o Sol é a mesma coisa.
Em casa, faça um suco de laranja bem amarelo. O suco vai se misturar com os raios de Sol que você guardou. Eu guardo os meus no estômago. Ajuda a prevenir úlceras, gastrites nervosas e enfermidades em geral. Tenha sempre um raio de Sol guardado no estômago para emergências em caso de dias nublados, nervosos ou chuvosos.
Tome um banho bem gelado, que é pra despertar e tirar aquela sensação de calor da corrida. Dizem que também deixa os cabelos brilhantes.
Vista um belo vestido amarelo, e saia, radiante e linda, espalhando um pouco do brilho que você absorveu do Sol. Agradeça à vida por viver. E por talvez chorar, e talvez sofrer, mas principalmente, por ser capaz de amar. Nem que seja o Sol.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Reminiscências ou não te interressa, eu sei, mas eu queria falar mesmo assim.

Desci do ônibus e passei em frente ao prédio em que moramos. Acho que foi onde fomos mais felizes. Não era um apartamento enorme, mas era bem iluminado e espaçoso. Ainda não tínhamos móveis na sala. E a casa era uma bagunça. Teve uma época em que eu resolvi montar uma bancada na sala. Era meu ateliê. Uma porta sobre cavaletes.
A janela da sala era enorme, ia do chão quase até o teto. A vista não era linda, mas tinha a copa de uma árvore que antes do inverno ficava inteirinha cor-de-abóbora. E o Sol... Era o melhor. Batia em todos os cômodos. De manhã começava a bater na lavanderia. Passava pela cozinha e depois batia nos quartos. É engraçado falar que o sol bate, não é? Eu acho que o Sol acaricia, e depois arde, e depois preenche. Me sinto preenchida pelo Sol. Como se meus poros fossem buraquinhos, caninhos que levam a energia do Sol pro coração, pra alma, pro fígado, pro útero, sei lá pra onde.
E tinha o som dos passarinhos, esses que acordam São Paulo, e que é uma delícia ouvir. Foi nessa época que eu ia correr na Usp de manhãzinha. Cinco horas da manhã, ainda estava escuro, eu despertava junto com os passarinhos. Até hoje ainda tenho uma sensação estranha quando escuto os passarinhos. Um misto de conforto com desconforto, com saudade, com sei lá o quê.
Eu cozinhava bastante nessa época. Sempre tinha gente jantando ou almoçando em casa. Nosso filho era bebê. Eu achava que íamos ter mais um, ao menos.
Do ponto de ônibus pra casa mudou um monte de coisa. Terminaram aquela construção horrorosa que mistura todos os tipos de colunas greco-romanas. Ficou uma ode ao mau-gosto. A casa gigante cor-de-rosa que a gente via da janela já alugou e desalugou umas quinze vezes. Agora reformaram o salão e colocaram uns azulejos com entremeios dourados. Uma coisa muito fina!
A casa do norte continua arretada. Agora não é mais um boteco com uns bêbados. É praticamente uma casa de shows! Os homens ainda são uns bêbados, mas as mulheres se arrumam, e dançam entre elas mesmas, na falta de um par do sexo oposto, ou na falta de um par do sexo oposto que esteja em condições de se equilibrar em duas pernas.
A padaria mudou a calçada pela quarta vez. Tá mais bonita, mas continua cheia de bêbados e ruim. Também colocaram azulejos cor-de-abóbora na fachada. Abriu mais um bar perto de casa.
Do ponto até em casa tem muita animação e muita música.
"aí eu bebo pra caráio, bebo pra caráio, bebo pra carái..."
"chupa que é de uva, chupa que é de uva"
"você não vale nada mas eu gosto de você, você não vale nada mas eu gosto de você..."
Os vizinhos pintaram a casa de lilás. Ficou bonito. Quero pintar aqui também. As paredes de branco, as portas, janelas e portões de verde. Acho que vai ficar bonito. Comprei uma muda de Pau-Brasil. E de amoreira, pitangueira e tumbérgias. A tumbérgia já deu flor. Roxa, bonita. As bromélias estão do mesmo jeito. As hortências estão bonitas de novo. Podei a primavera, achei que ela fosse morrer, mas está linda. Tomare que esse ano dê flor. Coloquei o brinco de princesa numa estrutura de arame. Está enorme, cheio de flores. Preciso colocar torta de mamona nas outras plantas.
Sinto falta de coisas tão à toa. De uma roupa de homem no varal, de um sapato grande ao lado do meu num canto da sala.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sem título/n.2

Quem fala de si mente e sempre corre o risco de estar enganado.



Para minha mãe, sou uma mãe muito liberal.

Para meu filho, sou uma mãe ultra-conservadora.

Em suma: sempre tem alguém dando pitaco no que eu faço.



Acho o orkut muito mais legal do que o facebook.


Quem será eu?
Onde estará eu?
Onde andará Nicanor, que tinha nome de encanador?


Eu sou a mosca que pousou na sua sopa.

Eu nasci há muito mais que dez mil anos atrás.

Não, eu não sou fã de Raul Seixas. Nem tanto.


Eu sou uma sombrinha que vira pro alto no meio do temporal.
Por que eu adoro pôr as pernas pro ar, e vivo de bom-humor, como as sombrinhas coloridas, mas eu nunca deixo ninguém na mão.

Quer dizer, às vezes eu deixo sim, mas é só por que eu não estou por perto, por que senão eu mesma resolvo a parada, se é que vc me entende...

A vida é imprevisível.
Coma a sobremesa antes.

Você não vale nada, mas eu gosto de você.

Uma coisa muito gostosinha de ouvir que me disseram e eu (hehe) gostei. É de uma amiga de um amigo, peço licença:

"Gosto de você assim, assim, sem tirar nem pôr. Mas se for pra tirar e pôr, tirar e pôr, tirar e pôr, eu gosto mais ainda."

É isso aí, mano. Conteúdo adulto.

Priscila para maiores.

Rainha dos baixinhos não é comigo não.

Ah, vou mudar a configuração de privacidade.


Entra cada maluco que eu estou ficando arrependida de ter posto um filho nesse mundo de malucos.
Não que eu não soubesse que malucos existiam. Mas eu não imaginava que eles eram tantos!

A ignorância, em muitos casos, é uma benção.

(pra mim, pra vc, pra todo mundo, isso aqui é uma puta perda de tempo. pq em vez de estar aqui, lendo ou escrevendo, a gente devia estar dando! Uma arrumada na casa, uma volta na praça...)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Da idéia.

Vou escrever um livro. De auto-ajuda.
É uma idéia bem antiga.

Antes eu achava que seria necessário escolher um nome em outra língua, algo como Sarah Mitchel, John L. Woolf ou Pamela J. Parker, mas eu sou libriana e não me decido nunca. Ficava difícil começar a escrever se nem identidade definida eu tinha ainda.

Então resolvi parar de enrolar e vou escrever a partir da minha própria identidade mesmo. O que é uma falácia, já que o que escrevemos é o que nos atravessa... Mas o que são os livros de auto-ajuda senão mentiras por escrito?

Queria pensar num tema bobo, simples e de fácil aceitação pelo exigente público consumidor desse gênero literário (como todos os títulos da seção auto-ajuda), mas nem precisei pensar em nada, aconteceu.

Aconteceu comigo e agora eu vou dar a quem interessar possa minha impressão sobre o acontecido.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A vida é imprevisível

A minha sobremesa eu como antes.

Vou pichar na cidade toda:

"É importante comer a sobemesa antes, PORRA."

domingo, 6 de dezembro de 2009

Como assim?

Tá pensando que é fácil se livrar de mim?
Me chama quando precisa, e quando não precisa mais me manda embora, é assim?
Eu vou quando quiser, viu? Não adianta querer me expulsar.
Humpf.

I S M Á L I A.

Do tempo que passa

Meu tomara-que-caia caiu, junto com o medo, a vergonha e o resto das roupas. Junto com a raiva do mal me quererem. Do não me quererem.
Eu me quero.

Adeus, Ismália.

Priscila.