Eu peguei a estrada ontem, decerto não foi uma idéia muito inteligente, em dia de jogo da copa pegar a rodovia, mas não tinha outro jeito, e eu fui. Quase sofri um acidente na ida, e quase virei patê na volta. Quase. E aí fiquei pensando que só o que a gente tem que fazer nessa vida é viver. Por que pra morrer, basta estar vivo. Basta. Cheguei em casa e enchi meu filho de beijo, li quantas histórias ele quis, dormi abraçadinha com ele. E acordei com um novo fôlego pra vida. É piegas, eu sei, mas obrigada, Vida. Minha tristeza foi embora rapidinho.
Não, eu não vou tirar o acento da idéia.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
A gente é para o que nasce
Eu tenho andado excessivamente namoradeira, aí ontem resolvi me acalmar e me concentrar nos meus projetos, fiz agenda, calendário, cronograma, o escambau a quatro, voltei a correr, arrumei o guarda-roupa - todo mundo sabe que em momentos de caos na vida é fundamental organizar o guarda-roupa. Mas aí, hoje eu estava tranquilamente andando na rua quando vi um cara igualzinho o Tom Zé, aí pensei, não é possível, será que é ele mesmo? Meu coração disparou, Tom Zé, me dá um autógrafo, Tom Zé, casa comigo, Tom Zé, me leva pra casa, Tom Zé... Aí nos aproximamos e vi que não era o Tom Zé. Mas que parecia, parecia. Continuei andando, não tão tranquila quanto eu estava antes de encontrar o sósia do Tom, mas tranquila. E aí apareceu na minha frente um cara lindo. Lindo! Ficou me encarando sem a menor cerimônia. Eu, como boa moça direita que sou, dei uma olhadinha de relance e pensei já ter visto aquele cara em algum lugar. Cheguei no consultório, sentei, esperei, a campainha tocou, achei que fosse minha terapeuta. Era o cara lindo que estava na banca quando eu passei. Sem a barba que ele costuma usar, eu sabia que ele me era familiar. Pois é, eu tenho andado excessivamente namoradeira, e estava decidida a parar com isso, mas veja, não sou eu, é o cosmo, são os astros, é sei lá o quê que faz isso com a gente, sei que eu vou tomar um café com o moço que faz terapia no mesmo lugar que eu. Até por que, se eu estou lá é por que lá tem gente interessante, como diz uma amiga minha.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Suruba
Mas veja, eu não gosto nem um pouco de gente sem imaginação. Não que eu me julgue lá muito criativa, não é disso que se trata, entende? É que gente sem imaginação parece que se reproduz mais fácil e mais rápido que gente com imaginação, por que o mundo tá cheio de gente apática. Blergh! Dedo na garganta pra vocês. Eu não tenho nada pra narrar que não seja eu mesma. E eu mesma não tem lá muita graça. Então eu invento. Tudo bem tudo. Tudo bem tudo. É isso: tudo se for bom, neca se for ruim. É, eu gosto de viver em grupo. Em bando. Em dupla. Em trio. Em quartetos, quintetos, sextetos, nonetos. Promíscua? Não. Apaixonada. Apaixonada, sim. Pela vida. Que ser nós somos? Eu sei que ele acha ruim que uma mulher se exponha como eu me exponho. Assim como minha mãe, meu pai, meus avós, e todas as outras pessoas conservadoras que eu conheço. Se tem uma coisa que eu ouvi nessa minha vida foi: "nossa! como vc tem coragem de se expor assim?".
Olha, eu não sei. Não sei o que é que acontece, quando eu vejo tá todo mundo olhando pra mim. E eu estou vestida, não estou bêbada nem falando palavrão.
Estou apenas sendo. Sendo eu. Sendo como eu acho que eu sou. Como eu acho que devo ser. Cá comigo, eu e eu, entende? Ah, ele também me disse pra ser concisa. "A síntese é fundamental". Enfia tua síntese no cú. Eu sou rococó. Eu sou barroca. Retorcidamente boa, retorcidamente má. Alegria e tristeza. Maniqueísta? Não. Promíscua. Nesse caso sim. E é tanta promiscuidade, mas tanta, que tudo se embaralha, e não dá mais pra ver o que é braço, o que é perna, o que é mão, o que é cabeça. Isso me soa contraditório, a bem da verdade. Se gosto tanto de viver em bando, por que também gosto tanto de eu com eu mesma? A ponto de não ter medo de me abrir, de ser inteira, de me "expor". Eu me exponho. Sem medo de retaliações. Mas as retaliações sempre vem, e nem por isso eu resolvo me fechar. A ponto de vomitar tudo isso aqui, e publicar. Deixar que os outros leiam. A troco de que eu faço isso?
Bem, como eu disse, eu não tenho nada de interessante para narrar senão eu mesma. Então eu me narro. Mas como eu também já disse, eu mesma não sou lá muito interessante. Então eu invento. Me invento. Cuidado.
Olha, eu não sei. Não sei o que é que acontece, quando eu vejo tá todo mundo olhando pra mim. E eu estou vestida, não estou bêbada nem falando palavrão.
Estou apenas sendo. Sendo eu. Sendo como eu acho que eu sou. Como eu acho que devo ser. Cá comigo, eu e eu, entende? Ah, ele também me disse pra ser concisa. "A síntese é fundamental". Enfia tua síntese no cú. Eu sou rococó. Eu sou barroca. Retorcidamente boa, retorcidamente má. Alegria e tristeza. Maniqueísta? Não. Promíscua. Nesse caso sim. E é tanta promiscuidade, mas tanta, que tudo se embaralha, e não dá mais pra ver o que é braço, o que é perna, o que é mão, o que é cabeça. Isso me soa contraditório, a bem da verdade. Se gosto tanto de viver em bando, por que também gosto tanto de eu com eu mesma? A ponto de não ter medo de me abrir, de ser inteira, de me "expor". Eu me exponho. Sem medo de retaliações. Mas as retaliações sempre vem, e nem por isso eu resolvo me fechar. A ponto de vomitar tudo isso aqui, e publicar. Deixar que os outros leiam. A troco de que eu faço isso?
Bem, como eu disse, eu não tenho nada de interessante para narrar senão eu mesma. Então eu me narro. Mas como eu também já disse, eu mesma não sou lá muito interessante. Então eu invento. Me invento. Cuidado.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Na copa
Foi no jogo de estréia da seleção. Brasil versus Coréia do Norte. Assistiu com eles os vinte primeiros minutos de jogo, mas logo foi para a cozinha terminar de preparar a janta. Comprou milho em conserva para por no empadão de frango que ia fazer (era o que ele mais gostava de comer, e o que ela fazia melhor), mas se lembrou que tinha milho fresco na geladeira. Resolveu cozinhá-los. Abasteceu as cumbucas com amendoim, tirou as cervejas do freezer para que não congelassem, levou as iscas de carne quentinhas para que se servissem.
-Alguém quer mais cerveja?
-Eu.
-Eu.
-E eu.
-Você não, João?
-Não, obrigada.
Esse João era o mais estranho dos amigos dele. Mas ela adorava ver a casa cheia, não se importava que um outro fossem um pouco estranhos.
Desfiou o frango, fez o molho de tomate, picou o cheiro verde, e a panela com o milho começou a pegar pressão. tchq-tchq-tchq-tchq-thcq-tchhhhhhhhhq-tchq-tchq.
-Mãe, que barulho é esse agora?
-Ah, estou cozinhando milho pro empadão, filho.
-Agora é hora, mãe?
-Ué, por que não?
-Por que tá atrapalhando, mãe, desliga essa droga aí.
-Ah, desculpa, só mais dez minutinhos e já tá pronto, filho.
O João levantou, levou a senhora pra cozinha, pegou no seu braço e falou:
-Se ele mandou desligar, desliga.
Segurou ela pelo cabelo e enfiou a cara na panela de molho de tomate.
Pegou a faca suja de franco e deu uma estocada no abdomen. A panela de pressão caiu no chão e explodiu. E ninguém ouviu ela gritando. Foi gol do Brasil. Pelo Maicon, no começo do segundo tempo.
João voltou para a sala com mais quatro cervejas nas mãos. E uma mancha vermelha na camisa, que ninguém viu se era sangue ou molho de tomate.
-Alguém quer mais cerveja?
-Eu.
-Eu.
-E eu.
-Você não, João?
-Não, obrigada.
Esse João era o mais estranho dos amigos dele. Mas ela adorava ver a casa cheia, não se importava que um outro fossem um pouco estranhos.
Desfiou o frango, fez o molho de tomate, picou o cheiro verde, e a panela com o milho começou a pegar pressão. tchq-tchq-tchq-tchq-thcq-tchhhhhhhhhq-tchq-tchq.
-Mãe, que barulho é esse agora?
-Ah, estou cozinhando milho pro empadão, filho.
-Agora é hora, mãe?
-Ué, por que não?
-Por que tá atrapalhando, mãe, desliga essa droga aí.
-Ah, desculpa, só mais dez minutinhos e já tá pronto, filho.
O João levantou, levou a senhora pra cozinha, pegou no seu braço e falou:
-Se ele mandou desligar, desliga.
Segurou ela pelo cabelo e enfiou a cara na panela de molho de tomate.
Pegou a faca suja de franco e deu uma estocada no abdomen. A panela de pressão caiu no chão e explodiu. E ninguém ouviu ela gritando. Foi gol do Brasil. Pelo Maicon, no começo do segundo tempo.
João voltou para a sala com mais quatro cervejas nas mãos. E uma mancha vermelha na camisa, que ninguém viu se era sangue ou molho de tomate.
Assinar:
Postagens (Atom)