quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sem título n.1

Morro de medo de bichos.
Bichinhos, pequenos, gosmentos, molinhos, anelados ou não.
Nem sei se é medo. Sempre imaginei bichos em toda parte. Lesminhas saindo do ralo do banheiro e tomando conta do chão, das paredes, da pia, ds meus pés, de mim.
Baratas gordas subindo as escadas e barateando na minha cama, no meu travesseiro. Ratos, ratazanas, camundongos entrando pela porta da cozinha, subindo na mesa, nas cadeiras, nos armários, em mim.
Minha imaginação é bem repetitiva. Meus delírios sempre acabam com os bichos me devorando no final. Nada muito criativo.
Da ficção à realidade. Descobri seres vivos no meu banheiro.
Pequenos, anelados, larvinhas pequenininhas e pretinhas, convivendo comigo no meu banheiro. No trilho do box. Muitas. Uma colônia de monstrinhos.
Joguei cândida. Não morreram.
Me pergunto há quanto tempo elas estavam lá.
Desde a última vez em que lavei o banheiro? Não faz tanto tempo assim.
Bichos.

Priscila

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ah, uma declaração!

Querida Priscila,

obrigada pela linda declaração! Foi simples, seca e direta, com um pouco de desdém nesse seu "até", mas entendo que de você não poderia vir coisa melhor!
Força aí, querida! Não vá se jogar da torre como eu! Não há homem no mundo que seja capaz de provocar uma morte por causa de amor.
Então quer dizer que você vai começar a assinar as postagens com seu nome? Então quando eu escrever, assinarei o meu... Aliás, vc assinará com o meu por mim!! Ainda não desenvolvi o poder de colocar tudo pronto aqui. Preciso de seus braços e de suas mãos para isso. Eu ficava preocupada, com medo de abusar da sua hospitalidade, mas já que de mim você até já gosta!

Ismália.

Espera um pouco Ismália.

Fiz esse blog por que achei que fosse enlouquecer. Aí chamei essa louca afogada para me fazer companhia e para me lembrar de não ficar louca. Não está adiantando muito. Continuo achando que vou enlouquecer, e só penso em escrever à noite. Não gosto de escrever à noite. Gosto de dormir. Não tenho dormido bem, mas pelo menos quando durmo esqueço que estou triste. Dizem que vai passar, que vai passar, mas não passa. Aliás, passa, eu fico feliz, cheia de vida, mas aí a tristeza volta, e minha alegria dura pouco, bem pouco.
Só queria que ela fosse embora... Ela a tristeza, não a Ismália. Da Ismália eu já gosto até.

Priscila,
a colega de quarto da Ismália.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ela é louca.

Soma, subtrai e multiplica os números das placas dos carros à sua frente. Dividir, engraçado, quase nunca divide, mas fica o tempo todo procurando o número mínimo, soma tudo, soma todos, até sobrar um único número, depois tenta ver a pessoa e pensa se a pessoa tem cara de cinco ou não. Se tem cara de 8 ou não. É maluca essa minha colega de quarto.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

2. Da moradia

Estou hospedada num ser. É, eu sei que é estranho, e que muita gente desconfia, mas sou uma hóspede.
Minha hospedeira às vezes me aceita, às vezes me rejeita e assim vamos levando nossa convivência, da maneira mais (des)harmônica possível.
Ontem por exemplo, num surto psicótico, ela procurou um desses sujeitos que fazem "expulsões". Foi horrível, principalmente para ela. Eu nem liguei. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Enquanto não reencontrar meu bem não volto.
O único porém é que eu esperava uma jovem donzela magérrima e pálida, com um longo, esvoaçante e diáfano vestido branco, por que isso me traduz melhor, entende?
Expressa a totalidade do meu ser fantasmagórico.
Essa moça se veste muito mal, vocês nem imaginam como...
Enfim, o que se há de fazer, não é mesmo?
Não posso cuspir no prato em que estou comendo.
Ah, a sessão de psicografia já vai acabar. Ela fica exausta, tadinha.
Até qualquer dia!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

1. Do voltar

Voltei. Voltei porque meu bardo querido voltou também, e não sei onde ele está agora. Vim procurá-lo.

Preciso dizer que da próxima vez que ele quiser me matar, que seja diferente.
Morrer afogada foi horrível. Senti cada célula do meu corpo enchendo de água até literalmente transbordar.

Não sei o que ele viu de romântico nessa morte.

Até hoje sofro de retenção de líquidos, e mesmo no calor bebo água com um certo cuidado.

A vantagem é que não vou ter infecção urinária tão cedo.