sábado, 26 de dezembro de 2009

No galinheiro

Ele vem cheio de marra.
Passa uma vez, olha de soslaio. Passa outra vez, dá uma encarada de leve.
Sento com meu filho, tomo um sorvete. Ele escolhe justamente o banco em frente para o aquecimento. Está com um filho a tiracolo também. Alonga uma perna. Estica os braços, alonga a outra perna. Opa! Cuidado amigo, não vá cair logo agora. Se equilibra de novo. Estufa o peito como se fosse um galo.
Tá, estou vendo. Como você é forte, não?
É que tem uma pança que eu não sei se encaro não.
Mas não pára não, vai, que tá no mínimo engraçado. E o sujeito continua mesmo. Agora não olha mais de soslaio. Encara fixamente. Brinca com o filho sorrindo mais. Se divertindo mais. Brinca mais. E olha pra mim, me mostrando que é um ótimo pai.

(Como eu sei que é mais? Sou uma pessoa observadora. Sim, eu já estava olhando antes. Mas por motivos diversos e pra todo mundo, antes que alguém pense que eu o provoquei de alguma forma)

Enfim... Me sinto uma presa. Tem um dinossauro querendo me conquistar.
Tem um galo querendo uma galinha pra ciscar.
Sabe o que que é, amigo...
Talvez eu seja sim um pouco galinha.
Talvez eu dê sim qualquer coisa para qualquer um.
Mas é que você hoje deu azar.
Loguíssimo hoje, o terreiro aqui está sob nova direção.
E cá nesse terreiro, quem escolhe o galo agora sou eu.
Tenta com a próxima!
E aproveita que tem que trazer seu filho pro parque e dá uma corridinha.
Dizem que faz bem pro coração...

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