Ele vem cheio de marra.
Passa uma vez, olha de soslaio. Passa outra vez, dá uma encarada de leve.
Sento com meu filho, tomo um sorvete. Ele escolhe justamente o banco em frente para o aquecimento. Está com um filho a tiracolo também. Alonga uma perna. Estica os braços, alonga a outra perna. Opa! Cuidado amigo, não vá cair logo agora. Se equilibra de novo. Estufa o peito como se fosse um galo.
Tá, estou vendo. Como você é forte, não?
É que tem uma pança que eu não sei se encaro não.
Mas não pára não, vai, que tá no mínimo engraçado. E o sujeito continua mesmo. Agora não olha mais de soslaio. Encara fixamente. Brinca com o filho sorrindo mais. Se divertindo mais. Brinca mais. E olha pra mim, me mostrando que é um ótimo pai.
(Como eu sei que é mais? Sou uma pessoa observadora. Sim, eu já estava olhando antes. Mas por motivos diversos e pra todo mundo, antes que alguém pense que eu o provoquei de alguma forma)
Enfim... Me sinto uma presa. Tem um dinossauro querendo me conquistar.
Tem um galo querendo uma galinha pra ciscar.
Sabe o que que é, amigo...
Talvez eu seja sim um pouco galinha.
Talvez eu dê sim qualquer coisa para qualquer um.
Mas é que você hoje deu azar.
Loguíssimo hoje, o terreiro aqui está sob nova direção.
E cá nesse terreiro, quem escolhe o galo agora sou eu.
Tenta com a próxima!
E aproveita que tem que trazer seu filho pro parque e dá uma corridinha.
Dizem que faz bem pro coração...
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