terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mas não faz eu me apaixonar por você, não. Sério. Mas olha só, duas negativas na mesma frase formam uma sentença positiva, então é melhor não falar disso, por que senão a gente se entrega, sem querer. Ou querendo, vai saber. É bom se apaixonar, o problema é esse. Além disso, a língua trai. As línguas traem. A minha, na sua boca, me trai por que digo uma coisa e faço outra. A outra língua que trai é essa que a gente fala. Trai quando eu coloco um não ao lado do outro, negativo com negativo é igual a um positivo, é a mesma coisa que dizer: eu te peço, faz com que eu me apaixone por você. E mesmo sabendo que eu não posso me apaixonar pelo que ou por alguém que eu não conheço. O pior é que poder a gente pode, o problema é o tombo que vem logo depois, por que a gente se apaixonou foi pela gente mesmo, pelo que nós criamos, pela idéia que a gente faz dessa coisa ou dessa pessoa. Eu sou tão assim, confesso. Apaixonada por mim mesma, acima de tudo, não por narcisismo, mas por que eu estou sempre criando realidades paralelas. O fato é que nunca dei a mínima pra guitarra, prefiro flauta, sax, piano, trombone, clarinetes. Mas agora eu fico prestando atenção nas guitarras.

Um comentário:

Pode falar, eu não ligo.