segunda-feira, 26 de abril de 2010

eu não sei. não sei você. só sei que incomodo, e fico triste por saber que incomodo, então fico quieta, não falo mais nada, não está mais aqui quem falou, apesar de não adiantar muito, por que falado já foi... e não, isso não é com você. embora você saiba que seja. então não comente nada, que é pros outros não perceberem que é com você. já que eu te envergonho. eu não sei por que eu te incomodo tanto, juro. não sei. também não sei se quero saber. por que por enquanto é só com você que isso acontece, então eu prefiro achar que isso é problema seu, não meu. mas fico quieta. embora vc saiba que eu não fico. não me leve a mal, que eu também não te levo. mas vc sempre me leva a mal, numa falta de compreensão lascada. mal entendidos, talvez? e eu até fico curiosa, tentando entender, mas por que tudo isso? o que eu falei de mais? olha, vou continuar falando demais, viu? só que não mais de, nem com vc. desculpa, mas é mais melindre do que eu posso aguentar.
talvez aí a gente possa ser amigo de novo, eu segurando minha língua, meu jeito, eu amarrada, travada, aí talvez vc goste de mim de novo. aí um monte de gente vai gostar mais de mim, tenho certeza. talvez seja uma dica valiosíssima essa sua. mas sabe o que que é? eu sempre tive a intuição de que se muita gente gosta de mim, é por que eu não existo. é por que eu passei por um processo de pasteurização, e fiquei branca feito leite. qualquer um vem e escreve em cima de mim como queria que eu fosse. por que as pessoas são más. as pessoas não gostam de vc. elas gostam daquilo que elas gostariam que vc fosse. elas gostam daquilo que elas acham que vc deveria ser. não é por mal, disse que elas são más mas não é proposital. é da natureza humana, acho. querer mudar o outro. eu não quero mudar ninguém. e por isso mesmo não aceito que ninguém queira mudar nada em mim. estamos fechados para edições, cortes, censuras, remanejamento, re-edições. eu sou assim, não tem re-edição, desculpe. vc é assim, não tem explicação. tudo bem, entendo. não precisamos brigar, não vou dizer nenhum palavrão dessa vez, não acho que vc precise me excluir, mas se vc quiser, faça como achar melhor. eu vou sim contar pra todo mundo, vou sim dizer que essa história aconteceu, e no futuro eu vou dizer pros meus netos que eles devem dizer sim a tudo e a todos. pro meu filho não dá mais tempo, ensinei errado já. talvez as pessoas pasteurizadas sejam mais felizes que eu. talvez eu devesse me reprimir mais. me apertar mais. me calar mais. tomar bolinha, stricnina, usar um gilete, formicida, raticida. por que a sensação que eu tenho é que eu te enveneno, e eu não queria envenenar ninguém. eu não sou um doce sempre. às vezes eu sou bem amarga de tragar. é que eu entendo que o amargor faz parte da vida, sabe? e como não é normal estar feliz o tempo todo, não é normal não ter um pouquinho de acidez de vez em quando. não é. meu humor é sarcástico, eu sei, isso é ruim. se bem que tem gente que não acha isso ruim. mas vc não pode com isso, ok. minha acidez te corrói os nervos. opa. foi mal. vou procurar os que não negam o ácido, em vez de procurar vc. é mais romantismo do que eu posso aguentar. é mais mentira do que eu posso aguentar. agora vc não é mais meu amigo. vc é um daqueles, lá. que a gente não conhece, então não fala nada. só sorri e acena. eu só sou sua amiga longe de todo mundo. em segredo. lá atrás, nos bastidores. então tá. também vou me dar pela metade pra vc.

2 comentários:

  1. Gosto tanto de acidez que chupo limão...

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  2. Nossa Senhora também, hein? Sério mesmo? Eu não posso nem com limonada sem açúcar, veja só! Ah, estou brava com vc, tinha esquecido. Olha o limãozinho de novo aí gente!

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Pode falar, eu não ligo.