terça-feira, 8 de março de 2011
ele me disse, me lembro claramente disso, agora que seu cabelo cresceu vc vai voltar a ser quem era, e me lembrei disso de repente, à toa, quando pisava numa lajota solta que fez a água espirrar nas botas, enquanto segurava numa das mãos as novas chaves e apoiava o guarda-chuva no chão a cada passada no passeio molhado de chuva. as chaves antigas no bolso, ainda não antigas, portanto, por que ainda as uso, mas agora dois molhos, o novo molho com chaves pequenas apenas, sem aquela chave - como se chama mesmo, aquela grande, que às vezes trava, tinha na casa de uma tia, eu achava tão chique ter uma chave grande, decerto por que acreditava que guardava coisas de muito valor, chaves simples guardam coisas simples, chaves grandes guardam coisas grandes, vim pra cá pra fugir do complicado que invariavelmente acompanha o grande, quero tudo simples, casa simples, coisas simples, vida simples, chaves simples. sem segredos. voltar a ser quem eu era? não sei, você volta a ser quem vc era junto comigo? eu perguntei e não ouvi resposta nenhuma, mania de botar sempre a culpa em mim, decerto por que aceito sempre as culpas todas que podem caber em mim. tem volta? isso de voltar a ser quem a gente era dez anos atrás, não tem, se tivesse não queria - será que não, não sei - talvez quisesse, talvez por isso essa volta agora, pra tentar de novo acreditar que o mundo é grande e que a gente pode muito. não fico achando que voltei por medo, acho que voltei mesmo por coragem. coragem e confiança talvez excessiva de que o mundo é grande e de que a gente pode muito. a gente dá tanta volta. apesar do verbo no passado, nenhuma grande mudança ainda. um dia por vez, me disseram, e achei que fosse uma boa idéia acatar esse jeito de viver. pelo menos por enquanto. um dia por vez. dois molhos de chave, algumas idéias na cabeça e muito amor no coração. por que só assim. tetra. o nome da chave grande.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Pode falar, eu não ligo.