segunda-feira, 30 de março de 2015
dobrei meticulosamente cada roupa que ficou aqui. arrumei organizadamente na mala. separei os sapatos, os cabides, as meias, as cuecas que eu adorava ver nele. guardei as blusas de lã, as jaquetas, os cintos. tudo que estava na cômoda e no armário: luvas, bolsas, como eu vou viver sem reclamar que janela de madeira não é lugar de pendurar toalha molhada? os ternos e casacos deixei em cima da mesa do escritório, não cabia tudo na mala. é difícil, isso. não lavei a roupa suja que ficou aqui. coloquei tudo no cesto que era dele. também não escondi nenhuma camiseta pra mim. acariciei o cachecol xadrez que ele mais usava. fiquei com saudade do futuro que não chegou. de tudo que era pra ser e que não foi. podia ouvir o álbum branco no repeat por horas e horas sem parar. quem era ele? quem eu era para ele?
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