Ele vem cheio de marra.
Passa uma vez, olha de soslaio. Passa outra vez, dá uma encarada de leve.
Sento com meu filho, tomo um sorvete. Ele escolhe justamente o banco em frente para o aquecimento. Está com um filho a tiracolo também. Alonga uma perna. Estica os braços, alonga a outra perna. Opa! Cuidado amigo, não vá cair logo agora. Se equilibra de novo. Estufa o peito como se fosse um galo.
Tá, estou vendo. Como você é forte, não?
É que tem uma pança que eu não sei se encaro não.
Mas não pára não, vai, que tá no mínimo engraçado. E o sujeito continua mesmo. Agora não olha mais de soslaio. Encara fixamente. Brinca com o filho sorrindo mais. Se divertindo mais. Brinca mais. E olha pra mim, me mostrando que é um ótimo pai.
(Como eu sei que é mais? Sou uma pessoa observadora. Sim, eu já estava olhando antes. Mas por motivos diversos e pra todo mundo, antes que alguém pense que eu o provoquei de alguma forma)
Enfim... Me sinto uma presa. Tem um dinossauro querendo me conquistar.
Tem um galo querendo uma galinha pra ciscar.
Sabe o que que é, amigo...
Talvez eu seja sim um pouco galinha.
Talvez eu dê sim qualquer coisa para qualquer um.
Mas é que você hoje deu azar.
Loguíssimo hoje, o terreiro aqui está sob nova direção.
E cá nesse terreiro, quem escolhe o galo agora sou eu.
Tenta com a próxima!
E aproveita que tem que trazer seu filho pro parque e dá uma corridinha.
Dizem que faz bem pro coração...
sábado, 26 de dezembro de 2009
S/ Título nº 3
A gente enlouquece
A gente ensandece
A gente endoidece
Depois passa um tempo
E a gente emudece
E esquece
Ou finge que não foi com a gente
E conta a história
De um jeito diferente...
A gente ensandece
A gente endoidece
Depois passa um tempo
E a gente emudece
E esquece
Ou finge que não foi com a gente
E conta a história
De um jeito diferente...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Poeminho poemático
Poema é jeito de dizer sentimento
Poesia é jeito de viver sentimento
Pra fazer um poema não precisa de rima nem de acento
Mas é bom que tenha
Também não precisa de rococó
Mas quanto mais firula melhor
Respire fundo
Diga trinta e três
-Trinta e três
-Dance um tango e não use mais roupas de brechó.
Poesia é jeito de viver sentimento
Pra fazer um poema não precisa de rima nem de acento
Mas é bom que tenha
Também não precisa de rococó
Mas quanto mais firula melhor
Respire fundo
Diga trinta e três
-Trinta e três
-Dance um tango e não use mais roupas de brechó.
Distração
Ando toda eu-lírica.
Não ponho uma roupa, visto meu figurino.
Não ouço música, escuto a minha trilha.
Não converso, repasso o script.
Nem resolvo, só sigo o roteiro.
Assim eu ganho tempo
Assim eu perco tempo
Assim eu finjo
Assim eu brinco
Assim eu esqueço
Que você está longe daqui.
Não ponho uma roupa, visto meu figurino.
Não ouço música, escuto a minha trilha.
Não converso, repasso o script.
Nem resolvo, só sigo o roteiro.
Assim eu ganho tempo
Assim eu perco tempo
Assim eu finjo
Assim eu brinco
Assim eu esqueço
Que você está longe daqui.
Questão general
Ser mãe solteira é difícil pra caramba. É bem mais difícil que ser só mãe.
É difícil se acostumar com a idéia de que seu filho não vai estar sempre na casa de vocês. Que vai passar uma parte da semana com o pai.
E por mais que você queira que eles tenham uma boa relação, que se vejam sempre, você vai chorar quando chegar da faculdade e não puder ver seu filho dormindo feito um anjinho, arrumar o cobertor, dar um beijinho e dizer "durma bem".
É, eu gosto de viver em bando. Sou meio macaquinha ainda.
E ontem eu senti que um macho no bando faz falta de um jeito diferente do que eu já tinha sentido antes.
Natal. Época de orgia gastronômica e brinquedística.
Até eu pedi meu brinquedo pro Papai Noel - um Detetive que só me deixou com mais saudade ainda do Detetive da infância.
Pois bem. Meu filho ganhou um autorama. Não pediu, mas ganhou.
Uma caixa enorme. Quinhentas mil peças. Tudo amarrado de tal forma que me fez acreditar que extraterrestres existem. Vi o manual. Não entendi nada. E conforme eu ia desamarrando aquilo que mãos alienígenas amarraram tão competentemente, ia me perguntando: por onde eu começo? Senti um desconforto gelado subindo pela espinha, me lembrando de arrumar a postura. Por onde eu começo? Respirei fundo e continuei tirando os nós com esmero, na esperança de ganhar tempo. Cadê o homem da relação para fazer esse serviço sujo por mim? Ninguém. Vai ter que ser eu mesma. Mas nunca fiz isso antes, por onde eu começo? O desconforto vai se transformando em desespero, o frio vai ficando quente, começo a suar, por onde eu começo?
Meu pai aparece na sala. Ufa! Vem cá! Mas nem ele dá conta. Cadê meu irmão que não aparece? Não acredito que vou ter que montar um autorama! Não! Eu não quero!! Homens existem para isso! Homens fizeram isso, homens se resolvam com isso!
Saí pela tangente: Vem filho, vamos jogar uma partida de Detetive! Me explica o que é Bakugan? O que esse Max Steel faz? Deu certo.
Meu irmão chegou, montou, e de manhã tinha um complexo viário digno de fazer morrer de inveja um Maluf da vida.
Rezo apenas para que meu filho não se transforme aos poucos num engenheiro megalomaníaco. Acho que um brinquedo só não é capaz disso, não é?
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Consenso ou Descompasso
Desfeita e descomposta,
me deito ao seu lado
e espero um afago.
Escuto um suspiro cansado.
Refeita e recomposta,
me deito ao seu lado.
Espero um suspiro,
recebo um afago.
Para um amigo querido.
me deito ao seu lado
e espero um afago.
Escuto um suspiro cansado.
Refeita e recomposta,
me deito ao seu lado.
Espero um suspiro,
recebo um afago.
Para um amigo querido.
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