Quando eu te conheci
não soube o que fazer
não disse sim
e também não disse não
Então eu esperei
sem nada esperar
quando me dei por mim
me via no teu olhar
E aconteceu assim
você foi embora
ao mesmo tempo
em que ficou em mim.
sábado, 13 de março de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Continuando, o que eu gosto dessa música é que ela é toda interjeição.
Acho que por que não tem nada pra ser dito nessas horas de fim. Pode ser pois é, enfim, então, uai, puxa, nossa, não importa. Não há o que se dizer, mesmo com tanta coisa pra ser dita. Eu não disse quase nada, mas escrevi mundos e fundos. Pois é, e então... Que diferença faz, falar ou não falar? Aquietar ou não aquietar? Aquiescer ou não aquiescer? Ficou o dito e redito por não dito, não é linda essa frase? Queria ter escrito isso.
Acho que por que não tem nada pra ser dito nessas horas de fim. Pode ser pois é, enfim, então, uai, puxa, nossa, não importa. Não há o que se dizer, mesmo com tanta coisa pra ser dita. Eu não disse quase nada, mas escrevi mundos e fundos. Pois é, e então... Que diferença faz, falar ou não falar? Aquietar ou não aquietar? Aquiescer ou não aquiescer? Ficou o dito e redito por não dito, não é linda essa frase? Queria ter escrito isso.
Não diz oi, não diz tchau, ele entra e puxa assunto, como se julgasse que eu ainda morro de saudades ou que ainda sinto sua falta. Não sinto, não sofro, não choro mais. Não quero mais.
Sob o pretexto da paternidade (olha, vamos ter que conversar até o fim de nossas vidas, então seria melhor que fossemos amigos) me procura sem pedir licença. Por que então não pensou nisso antes? Comentário típico de ex-mulher, esse. Mas eu já dizia esse tipo de coisa antes, tem coisa pior que fazer merda e ouvir “eu te avisei”?
Me procura por nada, não pede nada, não diz nada de importante, mas fica por perto, rondando, se fazendo presente. É irritante.
Eu tive um namorado, há muito tempo, que gostava muito de Caetano, e eu aprendi a ouvir muita coisa por causa dele. Quando acabou, e acabou de um jeito bem ruim, por minha causa ele sofreu um bocado, eu fiquei pensando que eu não o queria mais, mas ainda queria que ele me quisesse. Então eu cantava (não pra ele, claro) “não me queixo, eu não soube te amar, mas não deixo de querer conquistar uma coisa qualquer em você”. Agora eu imagino que o ex-marido cante isso de alguma forma. Não por que eu quero acreditar que ele ainda gosta de mim, mas por que o filho da mãe não tem mais o que fazer e vem me dizer que sente saudade. Eu perguntei por acaso? A vida é assim, essa coisa louca, a gente fode com a vida de uns e depois fica com saudade. Fazeroquê. Por isso, eu lhe digo: nunca perca a boa chance de magoar uma mulher. Tem uma música que é perfeita para o que eu sinto. Chama Pois é, do Chico Buarque e do Tom Jobim. É claro que eu não fui o tempo todo dedicação, aliás, a grande mágoa do sujeito (entre outras), é que uma vez eu saí para levar meu filho ao médico e não quis mais voltar pra casa. Simples assim. Estava cansada daquelas pessoas, daquela situação, dele. Essa parte ele não faz questão de lembrar, mas nesse dia fui lhe dar um beijo e ele me empurrou. Antes disso, disse que levaria nosso filho ao médico por que ele estava se queixando de dor de barriga. O diálogo que vem a seguir, na minha humilde opinião, é digno do Surrealismo. Buñuel transformaria em filme. Ele perguntou:
“O Leo fez coco hoje?”
“Fez, de manhã.”
“E como era?”
“Não sei, não vi, ele se limpou sozinho.”
“Como você não viu? Priscila, a única coisa que você tem que fazer é cuidar do seu filho, e nem isso você consegue fazer?”
Saí, levei meu filho ao médico, não era nada, fomos ao cinema, comemos pipoca, tomamos refrigerante, comemos um big Mac (atos de pura auto-destruição, como vocês podem notar), tomamos sorvete, comprei gibizinhos que esqueci na banca quando fui comprar um cartão pra dizer pra minha irmã que não voltaria para a minha casa, iria para a casa dela. De lá fui para a casa da minha mãe, fiquei uma semana no interior com meu filho. Depois voltei, por que aquela casa era minha, aquela família de certo modo também era a minha, embora eles nunca tenham me considerado parte da importante família Vicente Ferreira, e aquele marido ainda era o meu. E isso foi a pior coisa que eu poderia ter feito, segundo o sujeito. Eu fugi. Teve uma vez também que eu perguntei por que a família dele não ficava num hotel. Foi a mesma coisa que dizer morra, sei lá o que se pode dizer de pior. E ainda uma outra vez, já bem perto do fim, eu perguntei por que o irmão dele não ia embora. Doou o rim, pronto, resolveu, somos eternamente gratos, agora a gente precisa descansar, obrigada, tchau, boa-viagem! Mas acho que ele sabia que quando todos se fossem, ele ia ter que ficar a sós comigo, e isso ele não dava conta. Por isso aproveitou que o clã estava reunido, todos juntos somos fortes, me disse que eu não era a família dele, e eu que sempre achei que quando casasse ia ter a minha família, minha, fiquei só com minha família de dois, meu filho e eu, ele juntou suas coisas e foi embora, e foi de um jeito engraçado, como se ele não estivesse indo, como se estivesse tudo bem. Não me esperou para contar pro nosso filho, meu sogro contou, pra vocês verem a importância que tem uma mulher na vida desses homens. Não sei se foi efeito dos remédios, mas ele não estava lá. É claro que não foi efeito de remédio nenhum, ele não estava lá por que não estava mesmo, há tempos já não estava mais lá, comigo. Enfim. Outra coisa curiosa – não sei se sou eu a maluca, que procura significado em tudo, pode ser isso – é que quando ele saiu, levou tudo que era dele. Mas não foi tudo. Foi quase: o lixo ele ia deixando pra trás. Nos armários, coisinhas que ele não queria mais foram ficando pra trás. Um pote de pomada que só ele usava, e que já estava vencida, ele deixou. Uma caixinha quebrada de óculos, que só ele usava, ele deixou. O que mais? Não me lembro, mas enchi uma sacola com essas coisinhas que não lhe serviriam mais, e que ele deixou para trás, assim como eu. O lixo ao lixo. Foi isso o que ele pensou, será?
Pois é
Fica o dito e o redito por não dito
E é difícil dizer que foi bonito
É inútil cantar o que perdi
Taí
Nosso mais-que-perfeito está desfeito
E o que me parecia tão direito
Caiu desse jeito sem perdão
Então
Disfarçar minha dor eu não consigo
Dizer somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim
Enfim
Hoje na solidão ainda custo
A entender como o amor foi tão injusto
Pra quem só lhe foi dedicação
Pois é, e então ...
Sob o pretexto da paternidade (olha, vamos ter que conversar até o fim de nossas vidas, então seria melhor que fossemos amigos) me procura sem pedir licença. Por que então não pensou nisso antes? Comentário típico de ex-mulher, esse. Mas eu já dizia esse tipo de coisa antes, tem coisa pior que fazer merda e ouvir “eu te avisei”?
Me procura por nada, não pede nada, não diz nada de importante, mas fica por perto, rondando, se fazendo presente. É irritante.
Eu tive um namorado, há muito tempo, que gostava muito de Caetano, e eu aprendi a ouvir muita coisa por causa dele. Quando acabou, e acabou de um jeito bem ruim, por minha causa ele sofreu um bocado, eu fiquei pensando que eu não o queria mais, mas ainda queria que ele me quisesse. Então eu cantava (não pra ele, claro) “não me queixo, eu não soube te amar, mas não deixo de querer conquistar uma coisa qualquer em você”. Agora eu imagino que o ex-marido cante isso de alguma forma. Não por que eu quero acreditar que ele ainda gosta de mim, mas por que o filho da mãe não tem mais o que fazer e vem me dizer que sente saudade. Eu perguntei por acaso? A vida é assim, essa coisa louca, a gente fode com a vida de uns e depois fica com saudade. Fazeroquê. Por isso, eu lhe digo: nunca perca a boa chance de magoar uma mulher. Tem uma música que é perfeita para o que eu sinto. Chama Pois é, do Chico Buarque e do Tom Jobim. É claro que eu não fui o tempo todo dedicação, aliás, a grande mágoa do sujeito (entre outras), é que uma vez eu saí para levar meu filho ao médico e não quis mais voltar pra casa. Simples assim. Estava cansada daquelas pessoas, daquela situação, dele. Essa parte ele não faz questão de lembrar, mas nesse dia fui lhe dar um beijo e ele me empurrou. Antes disso, disse que levaria nosso filho ao médico por que ele estava se queixando de dor de barriga. O diálogo que vem a seguir, na minha humilde opinião, é digno do Surrealismo. Buñuel transformaria em filme. Ele perguntou:
“O Leo fez coco hoje?”
“Fez, de manhã.”
“E como era?”
“Não sei, não vi, ele se limpou sozinho.”
“Como você não viu? Priscila, a única coisa que você tem que fazer é cuidar do seu filho, e nem isso você consegue fazer?”
Saí, levei meu filho ao médico, não era nada, fomos ao cinema, comemos pipoca, tomamos refrigerante, comemos um big Mac (atos de pura auto-destruição, como vocês podem notar), tomamos sorvete, comprei gibizinhos que esqueci na banca quando fui comprar um cartão pra dizer pra minha irmã que não voltaria para a minha casa, iria para a casa dela. De lá fui para a casa da minha mãe, fiquei uma semana no interior com meu filho. Depois voltei, por que aquela casa era minha, aquela família de certo modo também era a minha, embora eles nunca tenham me considerado parte da importante família Vicente Ferreira, e aquele marido ainda era o meu. E isso foi a pior coisa que eu poderia ter feito, segundo o sujeito. Eu fugi. Teve uma vez também que eu perguntei por que a família dele não ficava num hotel. Foi a mesma coisa que dizer morra, sei lá o que se pode dizer de pior. E ainda uma outra vez, já bem perto do fim, eu perguntei por que o irmão dele não ia embora. Doou o rim, pronto, resolveu, somos eternamente gratos, agora a gente precisa descansar, obrigada, tchau, boa-viagem! Mas acho que ele sabia que quando todos se fossem, ele ia ter que ficar a sós comigo, e isso ele não dava conta. Por isso aproveitou que o clã estava reunido, todos juntos somos fortes, me disse que eu não era a família dele, e eu que sempre achei que quando casasse ia ter a minha família, minha, fiquei só com minha família de dois, meu filho e eu, ele juntou suas coisas e foi embora, e foi de um jeito engraçado, como se ele não estivesse indo, como se estivesse tudo bem. Não me esperou para contar pro nosso filho, meu sogro contou, pra vocês verem a importância que tem uma mulher na vida desses homens. Não sei se foi efeito dos remédios, mas ele não estava lá. É claro que não foi efeito de remédio nenhum, ele não estava lá por que não estava mesmo, há tempos já não estava mais lá, comigo. Enfim. Outra coisa curiosa – não sei se sou eu a maluca, que procura significado em tudo, pode ser isso – é que quando ele saiu, levou tudo que era dele. Mas não foi tudo. Foi quase: o lixo ele ia deixando pra trás. Nos armários, coisinhas que ele não queria mais foram ficando pra trás. Um pote de pomada que só ele usava, e que já estava vencida, ele deixou. Uma caixinha quebrada de óculos, que só ele usava, ele deixou. O que mais? Não me lembro, mas enchi uma sacola com essas coisinhas que não lhe serviriam mais, e que ele deixou para trás, assim como eu. O lixo ao lixo. Foi isso o que ele pensou, será?
Pois é
Fica o dito e o redito por não dito
E é difícil dizer que foi bonito
É inútil cantar o que perdi
Taí
Nosso mais-que-perfeito está desfeito
E o que me parecia tão direito
Caiu desse jeito sem perdão
Então
Disfarçar minha dor eu não consigo
Dizer somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim
Enfim
Hoje na solidão ainda custo
A entender como o amor foi tão injusto
Pra quem só lhe foi dedicação
Pois é, e então ...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
É claro que minha dor é narcísica, eu sou o máximo, como alguém pode não me querer?
Subiu no ônibus, intrânsito, chuva, demorou mais do que os trinta minutos de costume.
Estava de saia, a praticidade das saias! Era só erguer, não havia nada por baixo. Morde e assopra não, prometia e cumpria. Prometeu, estava indo cumprir. Não por que tinha prometido, mas por que queria mesmo. Queria. Ouvia Nouvelle Vague. Let's dance, little stranger. oh-oh, Dancing with myself. De quem era essa música, Iggy Pop não, Billy Idol. Well, there's nothing to lose, and there's nothing to prove, I'll be dancing with myself. Ela não dançava assim. Por que é preciso muita paz para dançar consigo mesma, e ela carregava coisas demais naqueles olhos. O mp3 continuou tocando, Ever fallen in love with someone, você já se apaixonou por alguém? Ever fallen in love,você já se apaixonou? In love with someone - se apaixonou por alguém? Ever fallen in love, você já se apaixonou? In love with someone, se apaixonou por alguém? You shouldn've fallen in love with. Você não deveria ter se apaixonado. Enquanto isso alguém chamava uma ambulância. Atropelara-se, enroscara-se em faixas brancas que de repente tingiram-se em vermelho escuro, cada vez mais escuro...
Subiu no ônibus, intrânsito, chuva, demorou mais do que os trinta minutos de costume.
Estava de saia, a praticidade das saias! Era só erguer, não havia nada por baixo. Morde e assopra não, prometia e cumpria. Prometeu, estava indo cumprir. Não por que tinha prometido, mas por que queria mesmo. Queria. Ouvia Nouvelle Vague. Let's dance, little stranger. oh-oh, Dancing with myself. De quem era essa música, Iggy Pop não, Billy Idol. Well, there's nothing to lose, and there's nothing to prove, I'll be dancing with myself. Ela não dançava assim. Por que é preciso muita paz para dançar consigo mesma, e ela carregava coisas demais naqueles olhos. O mp3 continuou tocando, Ever fallen in love with someone, você já se apaixonou por alguém? Ever fallen in love,você já se apaixonou? In love with someone - se apaixonou por alguém? Ever fallen in love, você já se apaixonou? In love with someone, se apaixonou por alguém? You shouldn've fallen in love with. Você não deveria ter se apaixonado. Enquanto isso alguém chamava uma ambulância. Atropelara-se, enroscara-se em faixas brancas que de repente tingiram-se em vermelho escuro, cada vez mais escuro...
Mas não faz eu me apaixonar por você, não. Sério. Mas olha só, duas negativas na mesma frase formam uma sentença positiva, então é melhor não falar disso, por que senão a gente se entrega, sem querer. Ou querendo, vai saber. É bom se apaixonar, o problema é esse. Além disso, a língua trai. As línguas traem. A minha, na sua boca, me trai por que digo uma coisa e faço outra. A outra língua que trai é essa que a gente fala. Trai quando eu coloco um não ao lado do outro, negativo com negativo é igual a um positivo, é a mesma coisa que dizer: eu te peço, faz com que eu me apaixone por você. E mesmo sabendo que eu não posso me apaixonar pelo que ou por alguém que eu não conheço. O pior é que poder a gente pode, o problema é o tombo que vem logo depois, por que a gente se apaixonou foi pela gente mesmo, pelo que nós criamos, pela idéia que a gente faz dessa coisa ou dessa pessoa. Eu sou tão assim, confesso. Apaixonada por mim mesma, acima de tudo, não por narcisismo, mas por que eu estou sempre criando realidades paralelas. O fato é que nunca dei a mínima pra guitarra, prefiro flauta, sax, piano, trombone, clarinetes. Mas agora eu fico prestando atenção nas guitarras.
Assinar:
Postagens (Atom)