E esse deus grego, quem é?
Gostou?
Não é bem essa a palavra...
Vc pegava?
Fácil! Olha esse sorriso, meu deus, vem cá sorrir prá mim!
Ele tem namorada, Pri.
Melhor ainda, eu aproveito pra treinar meu desapego.
Pri!
Ué, o que que tem, não quero casar, grande coisa ele ter namorada!
Pri!
Ah, vc sabe que eu nunca fiquei com cara comprometido, pelo menos não que eu soubesse, é contra os meus princípios, mas pra que servem os princípios? Pra esse eu abro uma excessão.
Como você é sem vergonha!
Sem vergonha nada, um cara bonito e gostoso assim não é todo dia que a gente vê dando sopa por aí.
Pri, ele não tá dando sopa!
Ah, tá sim, a gente veio junto no elevador. Sopa é pouco.
Ah é, ele deu em cima de você?
Nem em cima nem embaixo, foi de pé, rapidinho.
O quê?
Brincadeira, não deu tempo. Mas eu nunca rezei tanto pra um elevador quebrar. Como ele veio parar na sua casa?
É o meu namorado.
Ok! Tchau, Re!
Tchau, querida.
sábado, 17 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Eu estou em casa mas me sinto fora do lugar. Deve ser por que afinal não existe um lugar onde a gente. Eu não caibo nessa cidade, eu não caibo nesse bairro, eu não caibo nessa casa, eu mal caibo em mim. Estou no quase choro. Mas não tem lágrima, então não tem choro, então parece ser mais difícil mandar a angústia embora. Chorando é mais fácil, eu acho.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Priscila vai se submeter a uma certa edição de conteúdo.
Andam me entendendo literalmente. Se for literal, ninguém entende nada. Tem que ter uma margem de manobra, um respiro, uma dúvida, um não acreditar totalmente em tudo o que eu digo. Uma desconfiança confiante de que o que eu digo não é exatamente o que eu sou. Nem o que eu sinto. Já pensou se fosse fácil assim? Eu digo, eu sou. Ah, as relações não seriam tão... tão... tão. Não é de mentir que eu estou falando. Não é de brincar de ver bola de cristal também. É de malícia, sabe? Malícia é fundamental, já disse. Não, não coloque nisso uma conotação sexual. Não é disso que eu estou falando. Eu nem sei do que estou falando. Ah, sim, sobre entender literalmente o que eu digo. Há um tempo eu dizia pra mim mesma que nem tudo precisa fazer sentido. Por que eu não conseguia ver sentido no que estava se passando ao meu redor. Então aceitei que aquilo era assim. Não fazia sentido, pronto. Se eu fugi? Claro. Fugi, sim. Ainda me arrependo de não ter fugido mais, pra mais longe. De não ter mudado de cidade. Fugi para não sucumbir. Vc não fugiria também? A verdade? Eu desejei sim, muitas e muitas vezes, que ele morresse. Se ainda desejo? Não vou te dizer. Agora faz mais sentido, tudo, isso eu posso te dizer. Quer dizer, tudo que está aí, que eu posso ver, tocar, sentir. Eu, eu continuo não fazendo sentido algum. Principalmente se tentam me entender literalmente.
Andam me entendendo literalmente. Se for literal, ninguém entende nada. Tem que ter uma margem de manobra, um respiro, uma dúvida, um não acreditar totalmente em tudo o que eu digo. Uma desconfiança confiante de que o que eu digo não é exatamente o que eu sou. Nem o que eu sinto. Já pensou se fosse fácil assim? Eu digo, eu sou. Ah, as relações não seriam tão... tão... tão. Não é de mentir que eu estou falando. Não é de brincar de ver bola de cristal também. É de malícia, sabe? Malícia é fundamental, já disse. Não, não coloque nisso uma conotação sexual. Não é disso que eu estou falando. Eu nem sei do que estou falando. Ah, sim, sobre entender literalmente o que eu digo. Há um tempo eu dizia pra mim mesma que nem tudo precisa fazer sentido. Por que eu não conseguia ver sentido no que estava se passando ao meu redor. Então aceitei que aquilo era assim. Não fazia sentido, pronto. Se eu fugi? Claro. Fugi, sim. Ainda me arrependo de não ter fugido mais, pra mais longe. De não ter mudado de cidade. Fugi para não sucumbir. Vc não fugiria também? A verdade? Eu desejei sim, muitas e muitas vezes, que ele morresse. Se ainda desejo? Não vou te dizer. Agora faz mais sentido, tudo, isso eu posso te dizer. Quer dizer, tudo que está aí, que eu posso ver, tocar, sentir. Eu, eu continuo não fazendo sentido algum. Principalmente se tentam me entender literalmente.
corpo
sexta, 4 de junho de 2010 às 16:07
Mas que que significa esse monte de gente na rua? É quase feriado, tá frio pra caramba, vão embora dormir, poxa! Por mim...
Corpo? Que corpo? "Corpo" sugere uma certa união entre partes, partes que no todo fazem sentido, não é esse o caso disso aqui. Nada faz sentido, ou talvez eu esteja sendo muito exigente comigo mesma. Eu não sou muito boa com a questão do auto-controle, verdade seja dita. Ou talvez isso não seja exatamente uma verdade, talvez eu, os loucos, os desvalidos, os desvairados, talvez nós tenhamos mais razão do que vocês. Talvez nossas vidas tenham mais sentido do que as suas. Eu não trabalho em banco. Eu faço cor. Eu acho que posso brincar de Deus e tentar reproduzir a cor da rosa no meu jardim particular e artificial. Artifício. Uso tantos artifícios pra conseguir o que eu quero, que nem sei o que ou quem eu sou. Me escondo dos outros, e já não posso me achar. Eu me apaixonei de novo. À toa. Que nem tonta.
Mas que que significa esse monte de gente na rua? É quase feriado, tá frio pra caramba, vão embora dormir, poxa! Por mim...
Corpo? Que corpo? "Corpo" sugere uma certa união entre partes, partes que no todo fazem sentido, não é esse o caso disso aqui. Nada faz sentido, ou talvez eu esteja sendo muito exigente comigo mesma. Eu não sou muito boa com a questão do auto-controle, verdade seja dita. Ou talvez isso não seja exatamente uma verdade, talvez eu, os loucos, os desvalidos, os desvairados, talvez nós tenhamos mais razão do que vocês. Talvez nossas vidas tenham mais sentido do que as suas. Eu não trabalho em banco. Eu faço cor. Eu acho que posso brincar de Deus e tentar reproduzir a cor da rosa no meu jardim particular e artificial. Artifício. Uso tantos artifícios pra conseguir o que eu quero, que nem sei o que ou quem eu sou. Me escondo dos outros, e já não posso me achar. Eu me apaixonei de novo. À toa. Que nem tonta.
Protocolo
A visita é protocolar: entro, sorrio, abraço. Beijos.
- Como vc está?
- Ótima, e vc?
- Bem também, obrigada.
Ela é mais protocolar do que eu. Sorrisinhos.
- Chá?
- Não, obrigada. Água eu aceito.
- Claro! Vou buscar.
Silêncio.
- Sua água.
- Obrigada.
- Não tem de quê.
Silêncio. Acho que ela vai dizer alguma coisa. Escuto um começo de interjeição.
- A...
- A?
- Ah, é... O seu pai saiu, foi comprar pão, já deve estar de volta logo.
- Ahn...
Os dedos ficam tirintando no copo. Ela coça a cabeça com a ponta dos dedos. Nossos dedos tem algo em comum. Inquietos. Desconfortáveis. Acaba aí a semelhança.
- Como vc está?
- Ótima, e vc?
- Bem também, obrigada.
Ela é mais protocolar do que eu. Sorrisinhos.
- Chá?
- Não, obrigada. Água eu aceito.
- Claro! Vou buscar.
Silêncio.
- Sua água.
- Obrigada.
- Não tem de quê.
Silêncio. Acho que ela vai dizer alguma coisa. Escuto um começo de interjeição.
- A...
- A?
- Ah, é... O seu pai saiu, foi comprar pão, já deve estar de volta logo.
- Ahn...
Os dedos ficam tirintando no copo. Ela coça a cabeça com a ponta dos dedos. Nossos dedos tem algo em comum. Inquietos. Desconfortáveis. Acaba aí a semelhança.
Dessa vida que a gente vive
Eu peguei a estrada ontem, decerto não foi uma idéia muito inteligente, em dia de jogo da copa pegar a rodovia, mas não tinha outro jeito, e eu fui. Quase sofri um acidente na ida, e quase virei patê na volta. Quase. E aí fiquei pensando que só o que a gente tem que fazer nessa vida é viver. Por que pra morrer, basta estar vivo. Basta. Cheguei em casa e enchi meu filho de beijo, li quantas histórias ele quis, dormi abraçadinha com ele. E acordei com um novo fôlego pra vida. É piegas, eu sei, mas obrigada, Vida. Minha tristeza foi embora rapidinho.
Não, eu não vou tirar o acento da idéia.
Não, eu não vou tirar o acento da idéia.
A gente é para o que nasce
Eu tenho andado excessivamente namoradeira, aí ontem resolvi me acalmar e me concentrar nos meus projetos, fiz agenda, calendário, cronograma, o escambau a quatro, voltei a correr, arrumei o guarda-roupa - todo mundo sabe que em momentos de caos na vida é fundamental organizar o guarda-roupa. Mas aí, hoje eu estava tranquilamente andando na rua quando vi um cara igualzinho o Tom Zé, aí pensei, não é possível, será que é ele mesmo? Meu coração disparou, Tom Zé, me dá um autógrafo, Tom Zé, casa comigo, Tom Zé, me leva pra casa, Tom Zé... Aí nos aproximamos e vi que não era o Tom Zé. Mas que parecia, parecia. Continuei andando, não tão tranquila quanto eu estava antes de encontrar o sósia do Tom, mas tranquila. E aí apareceu na minha frente um cara lindo. Lindo! Ficou me encarando sem a menor cerimônia. Eu, como boa moça direita que sou, dei uma olhadinha de relance e pensei já ter visto aquele cara em algum lugar. Cheguei no consultório, sentei, esperei, a campainha tocou, achei que fosse minha terapeuta. Era o cara lindo que estava na banca quando eu passei. Sem a barba que ele costuma usar, eu sabia que ele me era familiar. Pois é, eu tenho andado excessivamente namoradeira, e estava decidida a parar com isso, mas veja, não sou eu, é o cosmo, são os astros, é sei lá o quê que faz isso com a gente, sei que eu vou tomar um café com o moço que faz terapia no mesmo lugar que eu. Até por que, se eu estou lá é por que lá tem gente interessante, como diz uma amiga minha.
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