Priscila vai se submeter a uma certa edição de conteúdo.
Andam me entendendo literalmente. Se for literal, ninguém entende nada. Tem que ter uma margem de manobra, um respiro, uma dúvida, um não acreditar totalmente em tudo o que eu digo. Uma desconfiança confiante de que o que eu digo não é exatamente o que eu sou. Nem o que eu sinto. Já pensou se fosse fácil assim? Eu digo, eu sou. Ah, as relações não seriam tão... tão... tão. Não é de mentir que eu estou falando. Não é de brincar de ver bola de cristal também. É de malícia, sabe? Malícia é fundamental, já disse. Não, não coloque nisso uma conotação sexual. Não é disso que eu estou falando. Eu nem sei do que estou falando. Ah, sim, sobre entender literalmente o que eu digo. Há um tempo eu dizia pra mim mesma que nem tudo precisa fazer sentido. Por que eu não conseguia ver sentido no que estava se passando ao meu redor. Então aceitei que aquilo era assim. Não fazia sentido, pronto. Se eu fugi? Claro. Fugi, sim. Ainda me arrependo de não ter fugido mais, pra mais longe. De não ter mudado de cidade. Fugi para não sucumbir. Vc não fugiria também? A verdade? Eu desejei sim, muitas e muitas vezes, que ele morresse. Se ainda desejo? Não vou te dizer. Agora faz mais sentido, tudo, isso eu posso te dizer. Quer dizer, tudo que está aí, que eu posso ver, tocar, sentir. Eu, eu continuo não fazendo sentido algum. Principalmente se tentam me entender literalmente.
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Pode falar, eu não ligo.