segunda-feira, 18 de outubro de 2010

de sonhos

vim correndo escrever, antes que eu me esqueça: tenho sonhos que se repetem desde a infância. graças a deus o homem de chapéu com faixa preta, camisa listrada em branco e vermelho, mala nas mãos e olhar fixo nunca mais voltou para me assustar. o sonho era assim: estávamos brincando, sentados no chão, irmãos e eu. na oficina que meu pai tinha. a oficina ocupava um espaço enorme. o muro era baixo, e dava uma impressão horrível, por que dava pra ver só a cabeça de quem passava na calçada. pois bem. no sonho, o problema mesmo era a música. era uma espécie de sino, uma musiquinha de realejo muito sombria que avisava que o homem estava vindo. e ele vinha para me matar. o que me deixava assustada não era mais a música do que a expressão serena, fixa e determinada do sujeito. era assustador. nem lembro quando foi a última vez que tive esse pesadelo, mas foram muitas e muitas vezes. a música, o homem andando com passos firmes e olhar determinado, ele nunca virou a esquina, só descia a rua, antes que ele virasse a esquina eu acordava. mas eu sabia que se ele virasse a esquina e alcançasse o portão, tinha alguma coisa dentro da mala, não sei o que era, mas sei que ele me mataria. queria sonhar com isso de novo, pra ver agora com olhos de gente adulta.



sonho recorrente 2: eu tinha uns três, quatro anos. minha mãe e eu. meu irmão brincando na água. era um riachinho, riachinho mesmo, que tinha atrás da casa onde morávamos. na verdade, não sei se era naquela casa, ou se era em outro lugar e eu juntei os dois riachos. um filete de água que brotava de uma mina mais pra cima cortava a chácara toda, e ia formar um lago na chácara vizinha.

bem, o sonho era: estávamos seguindo a trilha para ir até a fonte. numa parte do caminho, eu fiquei com medo, minha mãe segurou minha mão e disse: olha filha, dá pra ver o fundo, tem pedrinhas. e peixinhos. e nós duas abaixávamos e ficávamos alguns segundos vendo os peixinhos. e aí o riacho começava a encher. era um lugar muito agradável. estava calor, mas tinha muita árvore e samambaia, e o riacho deixava o ar fresco. muitas folhas secas e pedriscos no chão. pedriscos marrons, que nem argila expandida. parecia um pouco uma área pantanosa, o riacho não tinha um leito regular. tínhamos que desviar, pisando em pedras. eu sempre sonhava com isso: minha mãe segurando a minha mão, a gente abaixando para ver o fundo do riacho, os peixinhos nadando, os peixinhos saíam da ágaua e começavam a voar, criavam asas de borbotas, peixinhos miudinhos, borboletinhas. e a gravidade deixava de existir, e a água do riacho flutuava, os peixes voavam, só as árvores permaneciam imóveis. minha mãe continuava a andar, desatenta pro que acontecia, me puxando, e eu parada, olhando os peixes-borboletas com uma margaridinha na mão. de saia branca transpassada e "bustiê", como eu dizia, do piu-piu, eu acho. branco, com um desenho do piu-piu. tem foto minha com essa roupa, eu tinha 3, 4 anos. sandália, cabelo preso no alto, do lado direito, tudo preso num rabicó. mas isso tudo quase não importa, o que interessa é que esse sonho muda. esse lugar é como se fosse um refúgio pra mim, e ao mesmo tempo, reflexo: às vezes, essa área pantanosa inunda, vira lama, não consigo ver o fundo. em outras vezes seca, completamente, morre tudo. às vezes fica de noite e eu ainda estou lá, e não consigo sair, e me sinto presa, asfixiada, e assustada com a noite.

fazia muito tempo que eu não tinha esse sonho. mas hoje sonhei de novo, por isso me lembrei dele, já tinha esquecido. a água estava límpida e cristalina, haviam peixinhos, e eu disse para a minha mãe: olha mãe, os peixinhos voltaram a nadar, encheu de peixinho.

eram cor-de-abóbora. borboletinhas brancas voavam minúsculas, passarinhos cantavam, as samambaias estavam viçosas e tinha um cheiro fresco de eucalipto molhado no ar. o sol entrava entre as folhas e fazia o riacho brilhar. e nós estávamos felizes.



o terceiro sonho recorrente é esquisitíssimo: areia, areia, areia. areia de ampulheta, dunas e mais dunas de areia que desliza, apenas desliza, o sonho inteiro é areia deslizante. mas se algo dá errado, a areia deixa de deslizar fina e constante, e engrossa, fica granulada, áspera, não desliza mais, enrosca, machuca, é como se eu estivesse tecendo algo e de repente aparecesse um nó. ficava muito angustiada quando sonhava com isso, era exasperador. era quase tão ruim quanto o pesadelo do homem de mala, só que uma angústia interna, não era medo de que alguém me matasse. era medo da minha incapacidade de manter a areia deslizando fina e macia. vai entender. dá pra entender um monte de coisa com esses sonhos.



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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

faz duas horas que eu acordei, não sei se tomo café ou se almoço. daqui a pouco, janto. não sei se lavo a louça ou se faço café, preciso lavar a louça para fazer café, ou posso procurar o outro coador, limpo, e coar direto numa xícara, deve ter ainda uma xícara limpa, o coador é de papel. tanto o que fazer, e fizemos apenas isto. não sei se passo ou se fico, a cidade cheira pêssegos em dezembro, não consigo avançar na leitura, estou empacada, a cidade cheira pêssegos em dezembro. é melhor eu cozinhar as batatas logo, antes que elas estraguem. e estender a roupa, antes que fique cheirando mal dentro da máquina, o caos impera, mas do caos surgiu o mundo, não tem uma história que é assim? mas daqui de casa, desse caos, o mais provável é que surjam ratos e baratas, é melhor eu arrumar a casa antes que ela estrague. não, são as batatas que estragam. a casa... a casa cai? a casa desmancha? quem dera, era mais fácil arrumar se a casa se desmanchasse, e aí, com um sopro, a gente erguia a casa de novo, limpa, arrumada, como cores novas nas paredes, móveis novos na sala, e pessoas felizes na cozinha. pessoas felizes na cozinha mas quem seriam essas pessoas, pessoas que me olhariam como se eu fosse uma estranha, por que vc entrou aqui? eu fiz essa casa, ora, coloquei vcs aí para que me fizessem companhia, risos, vc nos colocou aqui? gargalhadas, por favor, vá embora antes de chamarmos a polícia, não queremos confusão, mas por que chamar a polícia, se eu esperava que vcs me convidassem para o café? eu os criei, veja, você usa o cabelo como minha avó usava quando eu era criança, e vc, tem os mesmos trejeitos e expressões da minha mãe, vc é o meu pai quando jovem, e esse menino fiz loiro como meu filho, mas com os olhos castanhos, como são os meus. não me mandem embora, ou eu os desfaço, assim como os fiz. silêncio. as pessoas já não estão mais tão felizes, não se ouve mais riso nem conversa, as pessoas estão mudas, paradas, apáticas, esperando um aceno, uma ordem, continuem, eu digo, mas elas começam a ficar transparentes, começam a reluzir, vem uma luz forte e estou só de novo, na casa suja, bagunçada, feia, triste e envelhecida, que tem apenas uma xícara limpa, nenhuma água no filtro e roupas espalhadas por todos os cantos, parece até um cenário, não é possível que eu tenha tanta roupa assim, vou fazer um café, meu estômago dói, de fome.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

arrumo a casa, dessas arrumações em que tudo sai do lugar, podia ir passear, é meu aniversário, almoçar fora, talvez vá, mas agora arrumo a casa. papéis, documentos, boletim de ocorrência, cds com fotos, coisas devidamente escondidas para que não fossem lembradas por causa da violência que contém. agora são vistas, mas não necessariamente revistas. arrumo a casa e arrumo eu, tão mulher isso, eu acho, tirar as rendas do armário mesmo com um coturno preto nos pés, é rendar a vida. mas não arrendar a vida, não esquecer disso na próxima. saudade do solista que deixava minha noite mais cheia e mais vazia ao mesmo tempo, em cima do telhado do prédio vizinho ele chorava, às vezes ria, mas em geral chorava, ou pelo menos eu ouvia aquilo como um lamento. me pergunto por que nunca tive vontade de atravessar a grama e subir os sete andares para fazer companhia, eu só achava bonito, não precisava estar perto, nunca quis ficar muito perto da tristeza. a gente devia contratar saxistas para tocar de noite, de longe eu ouvia um solo de sax que me fazia ficar apoiada na janela do corredor, que me fazia pegar uma coberta e ficar do lado de fora do prédio, sentada na escada de incêndio ouvindo. lembrei que isso já tem nove anos. não posso esquecer de não esquecer as histórias que a gente vive.

domingo, 26 de setembro de 2010

incrível como a gente pode se apropriar tanto de um livro, não é?
um dos, um dos não, o livro mais importante da minha vida, aquele que tá sempre ali, que eu já li umas quatro vezes, que eu não esqueço nunca, e que não sai de mim, é o livro "as meninas", da lígia fagundes telles. lia de mello shultz, ana clara e lorena, minhas três amigas, minhas três eus, minhas três. pensei nisso por que no último post eu escrevi a coisa mais gostosa do mundo é, e fizeram um espetáculo desse livro, lançaram uma reedição, teve palestra, debate, festa, etc, e eu não fui, faz tempo já, mas a peça pelo menos ainda está em cartaz. queria ter ido hoje, não deu, quero ir semana que vem, mas enfim, peguei o livro pra reler, e na primeira página está: a coisa mais gostosa do mundo é. e eu nem lembrava mais que a lião falava isso, que a lorena falava isso. mal me lembro da história, por isso peguei pra ler de novo. a coisa mais gostosa do mundo é ler um livro e esquecer que aquilo veio de um livro que vc leu, a coisa mais gostosa do mundo é aumentar a vida. por que como o moço disse, só a realidade não basta.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A coisa mais gostosa do mundo é ler um livro.
A coisa mais gostosa do mundo é ler um livro sabendo que ele foi feito pra vc ler. Pra vc. Não o conteúdo, eu digo, mas o formato livro mesmo. Páginas coladas, encadernadas, tecido fazendo as vezes de capa. Trabalho de artesão, de paciência, de cuidado, de carinho mesmo.
A coisa mais gostosa do mundo fica com um gostinho todo particular.
A coisa mais gostosa do mundo é ver um nascimento. É ver que o parto deu certo. Há mais luz agora, apesar da neblina e da vista turva dos sonhos, e a coisa mais gostosa do mundo é ver isso de perto.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

esse mundo binário é muito chato. beatles ou stones, banana ou maçã, macho ou fêmea, cor-de rosa ou azul, chico ou caetano, gato ou cachorro.

eu gosto de tom zé, de laranja, de vermelho e de esquilo.
e de mais um monte de coisa.

sábado, 11 de setembro de 2010

obcecada pela vingança, priscila maria só se estrepa. vive mal-humorada reclamando do sol, do calor, do frio, da chuva e da falta de chuva. se um passarinho vem lhe dizer bom dia, ela acende a churrasqueira e bau-bau passarinho. se um cãozinho atravessa seu caminho, ela chuta, sai da frente filho da puta. um gatinho diz miau, miau o caralho, e o gatinho voa longe.
de noite, sozinha, priscila maria chora e abraça seu ursinho de pelúcia encardido e sem um braço, único resquício de uma infância miserável perdida em algum lugar do passado.

[flashback: crianças brincando na rua, priscila maria criança sorrindo feliz com seu ursinho na mão, sentada na guia numa rodinha de crianças felizes até que chega ele, grande, gordo, forte, sem os dentes da frente, pára a bicicleta em cima do pé dela, pega o ursinho dizendo deixa eu ver isso aqui, ela chora, ele ri, ela diz devolve meu ursinho, ele abre a bocarra, ela grita não, não, meu ursinho não, tarde demais, ele arranca fora o braço do ursinho numa dentada só, e sai pedalando sua bicicleta dando uma risada que nas noites de chuva ela ouviria durante anos e anos]

se ela soubesse que chegando em casa ele foi severamentre castigado pela mãe, que colocou sua cabeça no forno aceso, ela talvez o perdoasse, mas o perdão é uma coisa que vem só no último capítulo. por enquanto priscila maria cozinha um plano diabólico para destruir seu arqui-inimigo que usa uma máscara por que tem uma marca horrorosa de queimadura do lado direito do rosto. seu nome é... lucius hammer, filho de lúcifer, o diabo em corpo de gente, se é que pode-se chamar aquilo de gente, ele é alto, ele é forte, ele é hot, as mulheres o amam e o temem, mas sobretudo o desejam. ele consegue as mulheres que quer, tem os carros que quer, ele é rico, é poderoso, mas tem um terrível complexo de inferioridade, por que tem um pau minúsculo, e por isso ele usa seu poder e sua influência para o mal. ele é do mal. mas ele não é mau.

[flashback: lucius hammer criança está se lambuzando com um xis-burguer quando seu pai entra na sala e diz: você comeu meu lanche?! lucius larga o resto do lanche e sai correndo, se esconde em baixo da mesa, o pai puxa seus pés, lucius segura o pé da mesa tentando escapar do castigo iminente, lucius vai arranhando chão, o pai é alto, é forte, é poderoso, arranca lucius de lá e bota sua cabeça no forno aceso. desde então, lucius nunca mais foi uma criança feliz e até hoje não chega perto de fornos. vive num apart-hotel, come fora todos os dias da sua vida, e nunca, nunca come xis-burguer]

sem saber disso, priscila maria abre uma lanchonete na frente do hotel onde vive lucius, para espionar os hábitos de seu arqui-inimigo. priscila não poderá nunca ser feliz se não desistir dessa vingança tola, mas o ódio consumiu seu ser franzino (ela tem um metro e meio de altura, pesa quarenta quilos e calça 32). além disso, não poderá nunca ser feliz por que usa peruca, chapéu, sobretudo e óculos escuros para não ser reconhecida, num calor infernal da cidade de piripiri, no piauí.


- três anos depois -

priscila maria comeu o pão que lucius hammer amassou, priscila maria quase moreu de desitratação por que suou em bicas durante três anos embaixo do sobretudo, da peruca e do chapéu, mas um dia... eis que lucius hammer entra na lanchonete. priscila maria tremeu. priscila maria quase desfaleceu. priscila maria fechou a mão em torno do anel que trazia nos dedos. e sentiu a glória da justiça se aproximando. tinha um gosto de sangue na boca, seu coração disparado soava mais forte que um cuco suíço, mas priscila se controlou. sorriu. e com muito sangue frio anunciou a oferta recém lançada: meus parabéns! o senhor é o milésimo freguês a entrar na casa hoje! ganhou o prato do dia: xis-burguer!
um calafrio percorreu a espinha de lucius hammer. xis-burguer. o ponteiro do relógio da lanchonete marcava nove horas e trinta minutos de um dia ensolarado porém amaldiçoado pelos deuses. lucius hammer rapidamente percebeu que se tratava de uma cilada. piripiri fora evacuada uma semana antes para a construção de uma hidrelétrica, só restavam os dois na cidade. por isso naquela manhã ele precisou entrar na - argh - lanchonete. era o único lugar da cidade que vendia algum tipo de comida. virou-se rapidamente para fugir, mas não conseguiu: priscila maria já estava postada na porta com um enorme e suculento xis-burguer envenenado nas mãos, dizendo:
- vc precisa provar meu xis-burguer, querido...
lucius hammer tenta sair pela janela, mas ela aciona o fechamento automático de todas as saídas, e os dois ficam cara a cara, exatamente como sonhara priscila maria.

[tudo pára ao redor deles. na falta de gente, xícaras e pires, pratos e talheres começam a voar em câmera lenta]

priscila maria tira os óculos escuros, o chapéu e a peruca, jogando o cabelo de modo sexy e provocante

[também em câmera lenta]

tira seu sobretudo e exibe uma lingerie branca e aí fecha rapidamente seu sobretudo, envergonhada por que esqueceu que não usava nada por baixo além do espartilho e da cinta-liga.

[corte brusco do clima, xícaras, pratos e talheres caem de repente no chão]

-lucius hammer, sou eu, priscila maria.

-vc é quem?

-como quem? priscila maria, sua arqui-inimiga.

-quem?

-não finja que não sabe quem eu sou. hoje é meu dia de glória. coincidentemente, é tb o último dia dessa sua vida de prazeres, de luxúria, de pecados. hoje é o dia em que vc pagará por todo o mal que me fez.

[priscila maria faz um discurso enorme, gesticula os braços e mantém o olhar num ponto fixo como se olhasse o horizonte e vislumbrasse um futuro glorioso. termina o discurso com os pés em lucius, que está sentado numa cadeira com as mãos amarradas. começa a ficar excitado quando o sobretudo de priscila maria se abre]

-desculpe, deve ser algum engano, olha, sinceramente, me perdoe, mas eu não me lembro de vc.

[lucius hammer imagina que seja alguma mulher com quem ele tenha tido relações que ficou insatisfeita por que seu pau era pequeno]

- não minta!! [gritando] eu esperei durante anos, tenho vigiado vc durante meses, e finalmente, hoje é o meu dia!! muahuahuahuhauhuahauhua [risada maligna]

lucius tenta se lembrar mas não consegue.
ela o obriga a comer o xis-burguer.

-coma, ande.

ele começa a chorar.

-suas lágrimas de crocodilo não vão me convencer. vc merece morrer!!

-mas se eu nem sei o que fiz... e é pra comer ou para andar? se vc me desamarrar, eu consigo andar.

-hahahahaha [outra risada maligna] morra, desgraçado.

e ameaça enfiar o xis-burguer goela abaixo de lucius hammer.

lucius hammer fecha a boca, chora, não come de jeito nenhum. e decide lutar por sua vida.
dá um chute em priscila maria e ela cai desacordada sobre os engradados de cerveja.
do bolso do seu sobretudo cai o ursinho todo desmilinguido.
lucius hammer se lembra de tudo vendo o ursinho.

quando acorda, priscila maria está amarrada de ponta cabeça no freezer da lanchonete.

não, quando acorda, priscila maria está deitada sobro o balcão enquanto lucius hammer passa um café. o anel sumiu de seu dedo.
lucius hammer sorri e diz:
- me desculpe. vc está bem? os olhos de priscila maria flamejam, ela pega a chaleira e dá na cabeça dele. mas ele é alto, ele é forte, ele é poderoso, ele segura seu bracico de nada antes do golpe. e a obriga a sentar.

-sabe, eu não gosto muito de mulher assim sem carnes, mas vc fica muito bem com essa cinta-liga.

ela se dá conta de que está seminua, e se abraça tentando esconder a nudez.

ele pega o ursinho e diz:
-então, é por causa disso que vc quer me matar?
-seu desgraçado, você vai me pagar!
ele a segura com um braço, seus chutes e pontapés não o alcançam.

- eu posso te comprar todos os ursinhos do mundo, se vc quiser.
- eu não quero! eu quero minha infância, que vc roubou de mim.

não, melhor ainda, quando acorda, priscila maria está no apart-hotel de lucius. clima de novela mexicana:

- eu posso te comprar todos os ursinhos do mundo, se vc quiser.
- eu não quero! eu quero minha infância, que vc roubou de mim.
priscila maria começa a chorar compulsivamente. lucius hammer a abraça. ela o rejeita. ele a abraça mais forte, quase sufocando-a, por que ele é alto, ele é forte, e ela é do tipo mignon. priscila maria chora tanto, que eles começam a sentir água nos pés.
ela se afasta.
-não me abrace!
ele se aproxima:
-abraço! vc é a vilã magra e sem graça mais gostosa que eu já vi.
ela se surpreende:
-o que? vc não está zangado comigo por eu querer te matar? (fazendo vozinha de princesa debilóide)
- não, priscila maria. sabe... nessa vida, todos nós blábláblábláblá
[discurso de meia hora em tom soturno, sisudo. conta a história toda, dos fornos, etc, anda pela casa, sempre de costas para ela, chuta uma cadeira quando fala da mãe, que morreu de sífilis um ano antes. se recompõe, e quebra um copo na mão quando cita o pai, que morreu atropelado por um trator quando ele tinha quinze anos.
priscila maria de compadece de sua dor, e desiste de matá-lo.
rola um clima.
os dois se aproximam, e a água já está nos tornozelos.
ele a pega pelos braços e a coloca em cima de uma cadeira. clímax chegando - os dois se aproximam lentamente:
- oh, lucius hammer, por tanto tempo te odiei
- oh, priscila maria, por tanto tempo eu... nem desconfiei da sua existência...
ela ri,
- é que a roteirista não é boa em fazer vilãs.
ele faz shiu:
- está ouvindo?
- não, o que?
- esse barulho... priscila maria, temos que fugir! a cidade será inundada para a construção da hidrelétrica, vamos!
- não, lucius hammer, é tarde! olhe!
[água na cintura dela ( e no joelho dele), cardumes de peixe palhaço e tartarugas marinhas nadam tranquilamente entre carros e objetos flutuando]
eles se dão as mãos, se abraçam e esperam pacificamente pelo fim. ele diz:
-eu seria muito grosseiro se dissesse que estou com um tesão louco por vc?
-hihihi, que é isso, lucius...
(a vilã, como boa vilã de novela, de repente torna-se puritana e cora)
- deixe de bobagem querida. pega aqui.
- lucius, que pau enorme!
lucius não entende
- nossa, acho que vai até me machucar...
lucius então percebe que ela era a mulher perfeita pra ele. com seu metro e meio, lucius realmente tinha um pau enorme para a sua vagina minúscula.

lucius se sentiu o fodão pelo menos uma vez na vida, priscila maria caiu de boca e foram felizes até que a água chegou no teto.

o fim.

fim!