Olhou bem para ele. Não o reconhecia mais. Tentou ver algum traço familiar. Nada. Aquele era outro. Nenhum sinal que a lembrasse dos sete anos de convívio. Só a voz era a mesma. Mas a entonação era outra. Foi morar do outro lado da ponte. Usava outras roupas. Passou a usar sapato de couro. Preto. Camisa bonita como nunca tivera antes. Calça do seu tamanho, nem maior nem menor. Cinto. Um cara de trinta anos, como outro qualquer. Agora ele ia ao cinema. Agora ele comprava roupas. Agora ele cozinhava e até fazia pão. Agora. Ela evitava pensar nisso. A deixava ainda um pouco desconcertada, o não saber. Disse a ela que estava mudando de "preferência literária". Ela riu por dentro. Achou estranho alguém mudar de preferência literária. Ficou feliz por que o achou um pouco ridículo. Finalmente. Ela sentiu muito a falta dele. Acordava de noite (quando conseguia dormir), passando a mão no espaço vazio da cama e pensava que ele estava lendo no escritório, como sempre. No meio da tarde, se tinha uma idéia, uma inspiração qualquer, pensava que precisava se lembrar daquilo mais tarde para lhe contar no café. Mas não havia mais café nenhum no fim da tarde, nem luz acesa no escritório na madrugada.
Agora ela já não sofre mais. Percebeu que não mudou muita coisa. Ela já era sozinha antes, mas achava que era o mestrado dele, a cirurgia se aproximando, a doença, o trabalho, qualquer coisa, menos ela. E era mesmo, qualquer coisa menos ela. Ele gostava de qualquer um, menos dela. E agora, sabendo disso, ela sente uma grande vontade de felicidade. Uma fome enorme, por que ficou com o estômago vazio por tempo demais. A tristeza a deixou mais bonita, mais amadurecida, mais mulher. Se sabe livre. Agora é ele quem sente falta dela.
O principal é o comentário que não fica mais pra o café com ele, fica pra nós... Nós merecemos muito mais!
ResponderExcluirhahahahaha!!!
ResponderExcluirSem dúvida!
Muito mais leais, muito mais legais, muito mais companheiras, muito mais amigas!
Marido pra quê? pra quem?