dormi das seis às seis, deus, como foi bom dormir das seis às seis. acordei, tomei café, li mais um capítulo de machado e dormi de novo até as nove e meia. nunca foi tão bom ficar gripada. foi o melhor fim de semana desde... desde... não sei, que mania de ficar mensurando as coisas, mas sei que foi bom, apesar de meu corpo ainda doer depois de tantas horas na mesma posição.
no fim da tarde saí pra lembrar que o mundo existe, comprei um jornal pra ter certeza de que eu não tinha perdido nada. ir até a banca é o passeio que gosto mais, mesmo que eu me irrite com a maioria das publicações. o menino resiste até o último piscar de olhos, dá pra ver que tem uma fada jogando areia, são baldes e mais baldes de areia fina nos olhos, e nada dele dormir. eu sei quando ele está mentindo, é tão engraçado, me sinto muito mal por desvendar seus segredos. mas acho que ele deve aprender que, se quer mentir, deve mentir bem mentido, por uma questão de respeito ao seu interlocutor: uma mentira mal contada é uma ofensa. não só a mentira, mas também e principalmente o mal-contar. o menino finalmente dormiu. cruza os pés e põe as mãos embaixo do rosto. a fada agora joga areia em mim. xô, xô, já dormi bastante, por uma vida, aliás. mas são baldes e baldes de areia fina nos olhos. não resisto tanto quanto o menino. pode ser da idade, pode ser do espírito... não sei.
mas que mãe é essa, que acha que o filho deve aprender a mentir bem, em vez de ensiná-lo a não mentir jamais... tudo é relativo, veja bem.
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