então o que a gente faz? se acostuma, a vida é assim mesmo? nunca mais fui feliz de verdade, será a idade? por que é assim? tá tudo errado, estou fazendo tudo errado, mas o que seria certo eu sei que não vou conseguir fazer. então assumo a responsabilidade.
mas eu sei que depois vou me arrepender. queria achar outro caminho. queria fazer outras coisas. mas não faço, não faço e nem sei se não faço por medo ou por ncompetência ou por preguiça. sei que não quero fazer nada e isso dói, dói não querer nada, é como passar uma vida em vão, não costuro, não pinto, não bordo há um tempão já. não faço nada. meu material tá estragando, as tintas vão vencendo os tecidos tomando pó. e eu não faço nada, nada, nada, nada. o que eu faço? um amigo disse que eu preciso de um namorado. mais romântico que eu, o amigo. não preciso de um namorado. até seria legal um abraço agora, mas só de pensar que pra isso eu vou ter que sorrir e fingir ser feliz, ai. eu vejo no bar os casais em ritual, é como assistir um documentário do mundo animal. é tudo igual. tudo, tudo, tudo igual. tudo rima no fim das contas, ritual, animal, igual, tá tudo igual.
só que diferente. clichê - chavão. eu continuo triste só que agora só penso em dormir. antes eu pensava em deixar de ser triste. não tenho mais esperança de que. talvez ela volte amanhã, quem sabe. espero.
só queria dormir
dormir
e quando eu acordasse
tudo podia estar bem diferente
mas eu não vou poder dormir se quiser ver as coisas mudadas
vou ter que ficar bem acordada
e trabalhar pra que isso aconteça
e justamente aí começam os problemas:
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