segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

dezembro

acordei com uma fome do tamanho do mundo, eu podia comer o mundo e tudo o que existe nele, mas não comi nem três quartos do que preparei, minha fome não era fome, era vontade, era felicidade, e agora cá estou eu espanando a poeira, arrastando os móveis, separando as roupas que eu não quero mais usar, que daqui pra frente, tudo vai ser diferente. saí de casa pra bater papo e dar uma volta, voltei com marias-sem-vergonha, brincos-de-princesa, mosquitinhos, onze-horas e uma dama da noite. ontem amassei barro com os pés descalços, sentei perto de uma fogueira, fiquei com o rosto fogueado, tinha tanto vagalume que era inacreditável, agora eu gosto mais de purpurina, vagalume é que nem purpurina, ou brocal, brilhando na mata, comprei um jornal, que não li, comprei mudas, que ainda não plantei, e voltei pra casa sentindo uma vontade enorme de carinho, de beijo, de abraço, mas sem tristeza, resignada, por que afinal ainda não estou pronta para amar, aquela babaquice e etc, então é assim, às vezes me sinto só, terrivelmente só, e é assim. mas a gente nunca sabe quem a gente vai encontrar pelo caminho, até que a gente encontra. ontem, no meio do meu caminho, encontrei o moço mais lindo do mundo. na verdade, ele era o moço mais lindo da festa na casa de um amigo, mas agora. depois de muitos, muitos beijos, abraços e carinhos, me perguntou se já estou pronta pra me apaixonar de novo. pode apostar que sim.

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