sexta-feira, 23 de julho de 2010

Essa foi a noite dos sonhos. Sonhei que sangrava, sonhei que abortava, sonhei que amava de novo, sonhei que casava, sonhei tanta coisa que nem lembro mais. E rodei na cama feito bússola, ora apontava pro sul, ora pro norte, acordava sem acordar e estava dormindo em uma posição diferente. Até que cansei de mudar e fiquei dormindo na diagonal - vantagem de não dividir cama com ninguém. Estraguei o colchão da cama de alguém que eu não sei quem é com tanto sangue, onde eu estava? Vertia sangue, sangue. Encharcou o colchão, escorreu pro chão, foi enchendo o chão, escorreu pela escada, encharcou o tapete, sujou os pés dos móveis da sala, que era minha, mas não era minha. O mundo foi sendo tingido de sangue. Eu ficava pálida, pálida, como quem se esvai mesmo. Eu pensava no Leo, não posso morrer, não posso morrer. Mesmo em sonho, abortar foi horrível. Foi o que ficou mais nítido agora, acordada. Mas a parte do amar de novo foi bem mais legal. Principalmente por que era o homem - literalmente e infelizmente- dos meus sonhos.

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