não combina com esse sorriso, não é? e o que combina com o que? nada combina. eram tantas as listras, cheguei a pensar que o mundo todo fosse listrado. andando rápido, as listras da grade se confundiam com o chão listrado de placas de concreto, e então vieram mais listras, do muro da ponte, e lá embaixo, carros e mais carros formavam um outro tipo de listras, e os carros ao meu lado, cada um na sua faixa, mais listras, pra onde vão tantas listras, o que fazer num mundo todo listrado,
comecei a chorar, e se acabasse tudo agora, mas não em cima de um dos carros, não queria estragar o dia de ninguém, no rio, então. nesse rio eu não tenho coragem, posto que não é rio, pensei no meu filho, chorei mais ainda, tonta com o excesso de listras no mundo, e então os carros da polícia, e o helicóptero, e o trem, e os carros, a ponte balançava, soldados nunca marcham em pontes, era tanto barulho, que parecia que não era pra eu escutar nem o que estava pensando, então continuei andando, acabaram as listras, acabou a tonteira, me vi quase me arranhando no muro, como se quisesse virar muro, como se quisesse virar tijolo, como se quisesse virar barro, como se quisesse virar pó.
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Pode falar, eu não ligo.