Foi no jogo de estréia da seleção. Brasil versus Coréia do Norte. Assistiu com eles os vinte primeiros minutos de jogo, mas logo foi para a cozinha terminar de preparar a janta. Comprou milho em conserva para por no empadão de frango que ia fazer (era o que ele mais gostava de comer, e o que ela fazia melhor), mas se lembrou que tinha milho fresco na geladeira. Resolveu cozinhá-los. Abasteceu as cumbucas com amendoim, tirou as cervejas do freezer para que não congelassem, levou as iscas de carne quentinhas para que se servissem.
-Alguém quer mais cerveja?
-Eu.
-Eu.
-E eu.
-Você não, João?
-Não, obrigada.
Esse João era o mais estranho dos amigos dele. Mas ela adorava ver a casa cheia, não se importava que um outro fossem um pouco estranhos.
Desfiou o frango, fez o molho de tomate, picou o cheiro verde, e a panela com o milho começou a pegar pressão. tchq-tchq-tchq-tchq-thcq-tchhhhhhhhhq-tchq-tchq.
-Mãe, que barulho é esse agora?
-Ah, estou cozinhando milho pro empadão, filho.
-Agora é hora, mãe?
-Ué, por que não?
-Por que tá atrapalhando, mãe, desliga essa droga aí.
-Ah, desculpa, só mais dez minutinhos e já tá pronto, filho.
O João levantou, levou a senhora pra cozinha, pegou no seu braço e falou:
-Se ele mandou desligar, desliga.
Segurou ela pelo cabelo e enfiou a cara na panela de molho de tomate.
Pegou a faca suja de franco e deu uma estocada no abdomen. A panela de pressão caiu no chão e explodiu. E ninguém ouviu ela gritando. Foi gol do Brasil. Pelo Maicon, no começo do segundo tempo.
João voltou para a sala com mais quatro cervejas nas mãos. E uma mancha vermelha na camisa, que ninguém viu se era sangue ou molho de tomate.
HAHAHAHA! LOUCA!!!
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