segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

beijo, vó, era o que estava escrito no ponto de ônibus. eu não conseguia ficar parada, estava atrasada, o ônibus não passava, não passava, onze e meia, meia noite, meia noite e dez, meia noite e quinze, passou. entrei no ônibus, deixei pra trás as baratas, de novo as baratas, sempre as baratas. fiquei pensando que o que eu não gosto nas baratas é a sua prudência excessiva. veja, vc não vê uma barata a qualquer hora, em qualquer lugar. há sempre um tempo certo, um lugar mais ou menos certo, elas não andam displicentemente no meio da rua, chamando a atenção. andam com cuidado. atentas. anteninhas a captar movimentos suspeitos. saem. olham. voltam para o bueiro. e saem de novo.
eu queria ter um quinto da prudência de uma barata.

2 comentários:

  1. A BARATA
    tanta é a prudência que amiúde agiliza
    previne o caminho e jamais improvisa
    reluzir e acertar seu indistinto passo
    a fez, toda vez, garantir um espaço
    de tanta história sorrateira à vida,
    de tanto temer encontrou a saída,
    e no afã de crescer a ser um inseto cordato
    viu-se sempre sob a sobra da sujeira da sola do sapato
    bolt

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Pode falar, eu não ligo.